Saúde investiga mortes de macacos no Paraná

Nos últimos três meses foram encontrados 13 macacos mortos na Região Metropolitana de Curitiba, Sudoeste e Campos Gerais..

Narley Resende - 14 de fevereiro de 2017, 12:10

Nos últimos três meses foram encontrados 13 macacos mortos na Região Metropolitana de Curitiba, Sudoeste e Campos Gerais do Paraná. De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), o procedimento padrão é a notificação para que as causas sejam averiguadas.

Em meio a surtos de febre amarela pelo Brasil, uma análise laboratorial deve verificar se os macacos estavam infectados ou se sofreram algum tipo de violência ou envenenamento.

Os exames são feitos no Instituto Evandro Chagas (IEC), em Belém-PA. Com o aumento da demanda por esse tipo de diagnóstico em todo o país, o IEC não deu previsão para o envio desse resultado.

Se a infecção pelo vírus for descartada, há ainda a hipótese de que os primatas tenham sido mortos pela população, com medo de possíveis contágios pela doença, apesar de eles não serem transmissores.

As espécies de macacos mais comuns no Paraná são o macaco-prego e o bugio. A Secretaria ainda não cofirmou quais espécies eram a dos macacos encontrados mortos.

Transmissão

A contaminação pela febre amarela acontece apenas por meio de picada de mosquitos, que podem transmitir o vírus tanto para o homem como para os animais. A Secretaria da Saúde destaca que os macacos costumam ser os primeiros infectados com o início da circulação do vírus. A detecção de indivíduos doentes pode ser essencial para a elaboração de campanhas de vacinação.

A orientação é para que cidadãos que encontrem animais mortos comuniquem a secretarias de saúde dos municípios para que sejam feitas análises.

O Paraná não tem casos confirmados de febre amarela. Neste ano, foram diagnosticados casos da doença em cidades de São Paulo, Espírito Santo e Minas Gerais.

Violência

Com os surtos de febre amarela pelo Brasil, a Secretaria estadual da Saúde recebeu relatos de macacos saudáveis encontrados mortos em áreas rurais do Estado. Ao que tudo indica, os primatas têm sofrido violência da população que acredita serem esses animais os responsáveis pela transmissão da doença aos seres humanos.

“Precisamos destacar que a febre amarela é transmitida apenas pela picada dos mosquitos – tanto nas pessoas, quanto nos macacos. Entretanto, por viverem em regiões de mata, os primatas costumam ser os primeiros infectados e, dessa maneira, assumem um papel importante de sentinelas, indicando a presença do vírus na região”, explica a superintendente de Vigilância em Saúde, Cleide de Oliveira.

De acordo com a superintendente, a morte desses animais deve sempre ser relatada à Secretaria da Saúde do município ou serviço de saúde para ser investigada. “Assim como o ser humano, eles também são vítimas. A identificação da doença nos macacos ajuda no desenvolvimento de estratégias para evitar a propagação da febre amarela no meio urbano. A população precisa saber disso, ficar atenta e sempre denunciar. A presença do animal morto deve sempre ser comunicada ao serviço de saúde mais próximo”, diz.

Denúncia

Além da comunicação aos serviços de saúde na ocorrência de macacos mortos, a violência contra animais também deve ser denunciada.

A denúncia de maus-tratos é legitimada pelo Art. 32, da Lei Federal nº. 9.605, de 12.02.1998 (Lei de Crimes Ambientais) e pela Constituição Federal Brasileira, de 05 de outubro de 1988.

A denúncia pode ser feita em qualquer órgão de segurança pública, como guarda municipal, polícia militar ou polícia civil. No Paraná também é possível buscar anonimamente o disque denúncia pelo telefone 181, pelo site www.181.pr.gov.br ou pelo e-mail dpma@pc.pr.gov.br.