Se é dolo, qualquer acidente de trânsito vai entrar como tentativa homicídio, diz defesa

Andreza Rossini


Com Francielly Azevedo

O advogado Alessandro Silvério, que defende o ex-deputado Luiz Fernando Ribas Carli Filho, acusado por duplo homicídio com dolo eventual, – quando se assume o risco de matar – argumenta que o réu deve ser condenado, mas por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

“Foi uma tragédia, mas não existe dolo, pois o ex-deputado não tinha conhecimento de morte. De que aquilo ia acontecer. Se é dolo, qualquer acidente de trânsito, mesmo sem morte, vai entrar como tentativa homicídio. Dirigiu alcoolizado e acima do limite de velocidade, mas não quer dizer que necessariamente queria causar um acidente”, disse no Tribunal do Júri.

Uma colisão de trânsito envolvendo o ex-deputado vitimou Gilmar Yared e Murilo Almeida, em maio de 2009. Na ocasião, Carli estava com a habilitação suspensa, embriagado e dirigia em alta velocidade.

Silvério continua a sustentação e diz que tentaram criar um “factóide” ao incluir no caso o nome de Marcello Richa, filho do governador Beto Richa, como participante de um racha. “Olha aonde chega a acusação!”, destacou.

De acordo com o advogado, Carli colocou a própria vida em risco o que descaracterizaria o dolo eventual. “A acusação debateu tudo, mostrou tudo, as fotos dele acamado, mas não falou da tese central: o dolo ele não pode ter agido com dolo eventual, pois colocou em risco a própria vida”.

“Pode existir dolo eventual em acidente de trânsito em duas situações: racha e roleta russa”, ressaltou Silvério. Segundo ele não foi o que aconteceu naquela noite.

O júri

O julgamento começou às 13 horas de terça-feira (27) e se estendeu até aproximadamente 22h30.

No primeiro dia, foram ouvidas seis testemunhas arroladas pela defesa e pela acusação, e o próprio réu. Nesta quarta-feira, o julgamento foi retomado com o debate entre as partes: acusação e defesa, que pode levar até cinco horas. Por fim, os jurados se reúnem em uma sala secreta, votam por cédulas e o juiz anuncia a sentença.

Relembre

O julgamento do ex-deputado ocorre após nove anos do acidente. Nesse tempo, a defesa de Carli Filho apresentou mais de 30 recursos na Justiça. O julgamento foi marcado e adiado mais de uma vez enquanto os advogados buscavam que ele respondesse por homicídio culposo, quando não há a intenção de matar, nas instâncias superiores do Judiciário.

Previous ArticleNext Article
[post_explorer post_id="483800" target="#post-wrapper" type="infinite" loader="standard" scroll_distance="0" taxonomy="category" transition="fade:350" scroll="false:0:0"]