Se o Ponto Pacífico de Leminski está no Atlântico, o Astral está na Ilha do Mel

Pedro Ribeiro


 

A pequena foca, vindo provavelmente da Patagônia argentina, desembarca na Praia de Fora, na Ilha do Mel. Logo vão chegando turistas e moradores, em especial crianças, para dar as boas-vindas ao animal. Um representante do posto avançado do litoral da Universidade Federal também se aproxima para examinar o bebê foca que aparentava cansaço e fome. Ele passa por uma série de exames, identificação e tratamento e retorna ao mar. Esta semana também fizeram parada estratégica neste pedaço de praia, cinco tartarugas marinhas que igualmente vieram de longe, provavelmente perdidas pelas correntes marítimas do Sul. A Ilha do Mel é assim: recebe viajantes de todo o mundo.

Há 20 metros da Praia de Fora, preferida pelos surfistas, no território da Brasília, está uma das mais bonitas e aconchegantes pousadas da Ilha do Mel: Astral da Ilha. Decorado com peças místicas vindas principalmente da Indonésia, o ambiente transmite paz espiritual deixando o turista realmente em um alto astral. Uma frase chama a atenção: “Muito romântico, meu ponto Pacífico, fica no Atlântico”, do poeta paranaense, Paulo Leminski, dá o tom do que representa aquele pedaço, envolto à floresta preservada, onde bangalôs e pequenos e bem decorados apartamentos para até quatro ou cinco pessoas, como conforto aos hóspedes que se espalham em confortáveis redes em varandas com vistas para um lago com carpas vermelhas, brancas, prateadas e tartarugas.

O tié-sangue, um dos pássaros mais bonitos do Brasil só falta pedir comida em sua mão. Divide um farto prato de frutas com as saíras sete-cores, sanhaços e cambacis, já na entrada do ambiente. Um convívio sem medo com hóspedes.

O empresário Guilherme Tissot, 40 anos, construiu a pousada há 13 anos, juntando cada caco de telha ou tijolo de escombros para pavimentar o local que, à época mais parecia um pequeno pântano em dias de chuva. O jovem, então com 26 para 27 anos, resolveu investir em uma pousada, para desespero da sua mãe, a jornalista Regina Cracik que, ao chegar para conhecer o terreno chorou os dois dias em que permaneceu na Ilha, conta, sorrindo o empresário. Aos poucos montou uma das mais belas pousadas da Ilha do Mel, com 13 quartos e capacidade para 54 hóspedes. O pântano floriu.

Com um amplo salão, onde comporta festa para casamentos, aniversários, convenções e seminários, a pousada Astral da Ilha possui um restaurante com comidas a base de frutos do mar e também para atender hóspedes que preferem um filé mignon ou carne de frango. Nunca falta o arroz, feijão e a batata frita, além de salada especial. O café da manhã é farto.

Além de cuidar da pousada como se fosse sua própria casa, onde tudo está em seu devido lugar, Tissot diz que emprega 26 pessoas em seu estabelecimento, contando com um receptivo em Pontal do Paraná, com estacionamento e barco exclusivo para a travessia dos hóspedes. Para incrementar ainda mais seu negócio, ele fabrica cervejas artesanais com nomes sugestivos como Sambaqui (Ipa), Rainha do Verão (Pilsner), Dama da Noite (escura), Tié-sangue (Red Ale), Menina da Ilha (Weizen) e cerveja de Cataia.

Guilherme Tissot sempre quis ficar ao lado do mar. Se emancipou aos 17 anos, partindo para a Califórnia, na América, por onde permaneceu por alguns anos. Foi para a Indonésia e se apaixonou. Uma bermuda e uma prancha de surf faziam parte da sua única bagagem. Ele conta que, para aprender o Bahasa, língua falada naquele país, escrevia todos os dias algumas palavras essenciais em sua surrada bermuda., Hoje fala fluentemente a língua e até conta piadas. Todos os anos vai a Bali e outras ilhas, onde fica por 30 dias surfando, conhecendo, pesquisando e importando produtos místicos daquele país.

Apaixonado e defensor da Ilha do Mel, nos aponta para o Farol das Conchas, construído ainda no império, lamentando seu abandono. “Vou falar com a Marinha e com agentes do Governo do Estado para restaurar este monumento que é um dos cartões postais da nossa Ilha e que hoje está completamente abandonado”, diz. Fui conferir e realmente me deparei com uma construção histórica, centenária, que merece tratamento por parte dos órgãos governamentais, principalmente pelo Governo do Estado ou Prefeitura de Paranaguá, já que o governador Ratinho Junior quer incentivar o turismo no Estado.

Também está abandonado o trapiche para embarque e desembarque na Brasília.

Serviço

Astral da Ilha

Telefones (41) 3426-8196 e (41) 99872-6469

www.astraldailha.com.br

Reservas com a Teca

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Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal
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