Secundaristas ocupam a primeira escola contra a reforma do Ensino Médio no PR

Fernando Garcel

Cerca de 200 alunos ocuparam o Colégio Estadual Arnaldo Jansen, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, na noite dessa segunda-feira (3) em protesto contra a Medida Provisória (MP) apresentada pelo presidente Michel Temer que propõe a reforma do Ensino Médio. Esse foi o primeiro colégio ocupado no Paraná.

De acordo com a secundarista Mariana Silva, o ato não é movido por partidos políticos, movimentos estudantis ou sindicatos e que a ocupação é feita de estudantes para estudantes. “Quem quiser ajudar, pode ajudar. Mas não estamos deixando nenhum movimento e nenhum partido erguer bandeira aqui dentro”, afirma.

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Por conta do protesto, as aulas foram suspensas e as atividades do contraturno foram canceladas.


Outros estudantes, de pelo menos 60 colégios estaduais de Curitiba e Região Metropolitana realizam manifestações, nesta terça-feira (4), contra a MP. Alguns dos colégios participantes paralisaram as atividades e os alunos não devem voltar para a sala de aula, antes de uma resposta do governo.

Em nota, a União Paranaense dos Estudantes Secundarista (Upes) afirma que a se solidariza com a ocupação e que a reforma do ensino pegou todos os estudantes do país de surpresa. “A MP diz que as matérias de sociologia, filosofia, artes e educação física deixam de ser obrigatórias, e que teremos uma carga-horária de 1400 aos colégios, porém não há condições e estruturas para esse aumento. Queremos uma reforma que atenda realmente a necessidade da educação pública e que seja debatida com a comunidade e estudantes, e além de tudo que seja democrática”, diz trecho da nota.

MP do Ensino Médio

Uma das principais polêmicas em relação às mudanças previstas pelo governo é o fim da obrigatoriedade das disciplinas de sociologia, filosofia, arte e educação física no ensino médio – as matérias não seriam mais decididas pela lei, mas pela Base Nacional Comum Curricular, que ainda está sendo definida.

A proposta estabelece também que os currículos do ensino médio sejam organizados por áreas do conhecimento. São elas: Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza e Ciências Humanas.

Disciplinas como Língua Portuguesa e Matemática continuam obrigatórias em todo o período. Já outras, como Biologia, Geografia, História e Artes, terão a carga horária reduzida pela metade.

O governo também quer 500 mil estudantes matriculados em período integral até o ano que vem. A meta é ter 50% dos alunos do ensino médio em período integral em dez anos.

A alteração por enquanto é facultativa. No Paraná, as mudanças só devem ser implantadas a partir de 2018. A superintendente da Secretaria de Estado da Educação, Fabiana Campos, explica que as mudanças precisam ser discutidas com profundidade. Por isso, 2017 deve ser um período preparatório e, por enquanto, tudo permanece igual. “A gente não vai, nesse momento, fazer nenhuma interferência. O MEC disponibilizou para a gente este tempo, o ano de 2017, para trabalharmos em cima disso e iniciarmos em 2018”, afirma.

De acordo com o texto da MP, as mudanças devem começar a ser implantadas no segundo ano letivo subsequente à data de publicação da Base Curricular, mas isso pode ser antecipado para o primeiro ano, desde que com antecedência mínima de 180 dias entre a publicação da Base e o início do ano letivo.

No entanto, de acordo com a superintendente, algumas escolas já podem testar o sistema de regime integral no estado. “A gente já tem três escolas, de ensino médio, para fazer um piloto. E para o próximo ano, a gente vai adotar mais escolas”, conta.

No Paraná
As mudanças estão dividindo os setores da educação no Paraná. A APP–Sindicato, que representa professores e profissionais da rede estadual de ensino, criticou a forma como o governo pretende implementar as mudanças – por Medida Provisória. “É uma medida que vem de forma autoritária, de cima para baixo”, conta o presidente da entidade, Hermes Leão.

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Hermes também critica a retirada de disciplinas da área de Humanas do currículo obrigatório.”A artes, a educação física, são disciplinas importantíssimas para a formação completa, em cidadania, em cultura. Não dá para a gente imaginar uma reforma dessa natureza por Medida Provisória”, lamenta.

Já o sindicato que representa as escolas particulares se posiciona a favor do governo federal. Para o presidente Jacir Venturi, o Brasil precisa corrigir a distorção que existe no ensino médio com urgência. “É necessário que se faça uma reforma. O aluno que está hoje no ensino médio está desmotivado, sem apelo para o estudo e, principalmente, todo nosso ensino médio está direcionado para que o aluno ingresse em uma faculdade. E nós sabemos que apenas 18% dos alunos do ensino médio estão se matriculando no ensino superior. Então tem que haver uma prevalência para os cursos técnicos e profissionalizantes”, afirma.

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