Segunda vídeo locadora mais antiga de Curitiba fecha as portas

Lucian Pichetti - CBN Curitiba


A atual forma de consumir cinema, por streaming (transmissão contínua), tem sepultado vídeo locadoras mundo a fora. Em Curitiba não é diferente. Se na metade do ano passado encerrou as atividades a primeira locadora da capital (a Vídeo 1, após 38 anos), no dia 26 de fevereiro será a vez da segunda mais antiga.

Após 33 anos de atividade, o proprietário da Cartoon Vídeo, Neivo Zanini, tomou a decisão mais difícil da vida, que vai deixar mais de 150 mil órfãos na capital.

“Nós estamos ensaiando há um ano ensaiando, com muita tristeza. Agora não dá mais, chegou ao limite. Praticamente só ficou a Cartoon na cidade. Eu tenho um cadastro de 155 mil clientes nas três lojas e ainda recebo clientes que amam cinema e que são apaixonados por vídeo locadoras, mas agora não tem mais o que fazer. Tem que ir para o virtual, é o canal que restou”, avaliou.

As portas da loja do Cabral fecham na segunda-feira, mas reabrem em março.

“Vamos reabrir no dia 1 para a venda total do acervo, que hoje está todo concentrado no Cabral. Desde 2012 está se falando do fim das vídeo locadoras e eu já me preparei de forma adequada para fazer acerto com os funcionários, de forma gradativa, para não pesar nas finanças da empresa. Em 2012, fechamos a loja do Cristo Rei. Em 2014, a do Ecoville e agora a matriz”, disse.

Apesar da crise, que assola as vídeo locadoras a pouco mais de seis anos, Neivo não tem do que reclamar. Pelo contrário.

“Foram 33 anos de sucesso. Desde 1986 até 2012 foi um crescimento permanente. Foi uma coisa impressionante. Em 2012, estabilizou. O virtual entrou de vez e a partir de 2015 começou a queda”.

Neivo vai alugar o imóvel e investir em outro negócio. O empresário lamenta o fim de um ritual, que levava as famílias às locadoras e as aproximava do cinema.

“Acho que o ritual de ir na locadora proporcionava ao cliente uma grande satisfação. Ele tinha um contato direto com os filmes, trocava ideia com os atendentes e aquilo se tornava uma rotina prazerosa. Hoje a coisa está mais distante”, completou.

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