Sem data para leilão, Hospital Evangélico pode parar as atividades nas próximas semanas

A direção do Hospital Evangélico, em Curitiba, afirma que pode parar as atividades por falta de dinheiro. Após o adiamen..

BandNews FM Curitiba - 04 de maio de 2018, 14:39

Foto: Divulgação
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A direção do Hospital Evangélico, em Curitiba, afirma que pode parar as atividades por falta de dinheiro. Após o adiamento do leilão do Hospital e da Faculdade Evangélica do Paraná, que estava marcado para hoje (4) e não tem nova data definida, o administrador judicial Ladislau Zavadil Neto entregou um documento à justiça em que lista uma série de problemas e afirma que o hospital pode paralisar as atividades “por horas, dias e até definitivamente, acaso uma solução não se apresente brevemente”.

"Tudo aquilo que atrasa o leilão vai deixando o hospital cada vez mais amargo. Eu como administrador municipal não posso me privar de comunicar isso pois pode criar algum tipo de mal estar entre os órgãos públicos", afirmou.

O hospital está sob intervenção da Justiça do Trabalho desde 2014 e tem dívidas de cerca de R$ 320 milhões. Entre as dificuldades apresentadas no documento encaminhado à 9ª Vara do Trabalho de Curitiba está a falta de um repasse da Secretaria de Estado da Saúde, no valor de R$ 400 mil por mês e que não estaria sendo feito desde janeiro deste ano.

"Quando venceu o do ano de 2017 eu solicitei pelos caminhos legais que se renovasse e foi aceito. Dai caiu em uma série de burocracias que existe para que se elaborasse um novo convênio. Esse novo convênio está para sair. Foi prometido ontem pela Secretaria da Saúde que em maio seria depositada a primeira parcela. São R$ 400 mil ao mês destinado exclusivamente a medicamentos e materiais para as emergências. De janeiro a abril que eu esperava receber eu não recebi", afirmou.

Segundo a SESA o repasse estava parado por conta de problemas com a documentação da renovação do convênio. No texto entregue pelo administrador judicial, há ainda informações sobre equipamentos sucateados, quebrados ou com defeito.

O futuro do hospital depende do leilão que foi adiado depois que o leiloeiro oficial, responsável pela avaliação dos bens e estimativa de valores, pediu mais prazo para entregar o novo relatório de avaliação dos imóveis.

"Dado a situação, ela não tem como ser resolvida sem que haja apólice de capital específico. O hospital não gera caixa das atividades já que 95% dos pacientes atendidos são do SUS e todo mundo sabe como é a remuneração do SUS", disse. "A solução é encontrar um dono e o leilão é a forma jurídica para fazer isso".

A previsão é de que todos os dados que precisam de correção devam estar prontos até a próxima semana. As informações da nova avaliação serão encaminhadas às partes, que podem aceitar ou contestar os valores. Só depois disso, o juiz fixa o lance mínimo de cada imóvel e publica o edital no mínimo 20 dias antes da possível data do pregão. A decisão da penhora, tomada pelo juiz Eduardo Milléo Baracat, aconteceu no fim do ano passado.

Desde dezembro de 2014, a Sociedade Evangélica Beneficente (SEB), responsável pelo Hospital, está sob intervenção da Justiça do Trabalho. Entre as dívidas da instituição há cerca de R$ 170 milhões em pendências tributárias e R$ 140 milhões na área trabalhista.

O Hospital Evangélico atende de 25 a 30 mil pacientes por mês, em média de 1.100 por dia. De acordo com a mantenedora, 95% do atendimento é focado no SUS. O hospital é referência em processos de alta complexidade (tratamento de queimados, cirurgias bariátricas e plásticas, transplantes de órgãos) e atendimento emergencial.