MST resiste à reintegração de posse em fazenda de citado na Lava Jato

Narley Resende


Cerca de 500 policiais militares cumprem na manhã desta quarta-feira (18) ordem de reintegração de posse de uma fazenda em Santa Terezinha do Itaipu, Oeste do Paraná. A assessoria da PM informou que foi dado um prazo de dois dias para que as famílias retirem os pertences da fazenda. De acordo com a PM, no início da manhã, houve enfrentamento, homens do acampamento jogaram pedras e paus no caminhão do Corpo de Bombeiros, mas a operação seguiu sem feridos.

Cerca de 4,5 mil pessoas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocupam a fazenda desde o dia 18 de março, para “denunciar desvio de recursos públicos e reivindicar à área para a reforma agrária”.

Os sem-terra resistem à operação da polícia e atearam fogo em dois caminhões na BR-277, na altura do Km 706. A rodovia foi totalmente bloqueada entre às 6h30 e 8h30 para tentar impedir a passagem dos policiais. Cerca de 200 manifestantes do MST protestam contra a ação de reintegração de posse. Os caminhões incendiados são do próprio MST.

O Corpo de Bombeiros foi acionado para apagar o incêndio nos caminhões e a pista foi liberada pela Polícia Rodoviária Federal por volta das 8h30. Os manifestantes continuaram ocupando uma das faixas do sentido Cascavel.

Desvio

A orientação aos motoristas é evitar a região. Caso necessário, o caminho alternativo é o seguinte: Cascavel – Catanduvas (PR 471) – Três Barras do Paraná – Nova Prata do Iguaçu – Salto do Lontra – Dois Vizinhos (PR 281) – Saudades do Iguaçu (BR 158) – Laranjeiras do Sul.

Lava Jato

A fazenda ocupada pelos Sem Terra pertence aos irmãos Licínio de Oliveira Machado Filho, presidente da Etesco, e a Sérgio Luiz Cabral de Oliveira Machado, ex-presidente da Transpetro. Segundo o MST, a área foi ocupada porque ambos foram citados nas delações do doleiro Alberto Youssef e do lobista Fernando Moura, durante as investigações da Operação Lava Jato, da Policia Federal.

Em delação, o lobista Fernando Moura disse que Licínio indicou Renato Duque para diretoria de Serviços da Petrobrás. Duque foi condenado a 28 anos e oito meses de prisão por corrupção passiva, associação criminosa e lavagem de dinheiro por participação em esquema que envolveu o pagamento de mais de 36 milhões de reais, 950 mil dólares e 700 mil euros de forma ilícita.

No dia da ocupação da fazenda de Licínio, os sem-terra afirmaram que encontraram equipamentos e materiais, como um guindaste para 100 toneladas com a inscrição soldada na haste ‘ESC 14’, que poderia indicar ser um maquinário da plataforma da Petrobrás, e canos galvanizados revestidos com emborrachamento próprio para serem usados em profundidade.

Fazenda

Na época da ocupação da fazenda, o administrador da fazenda Fernando de Freitas, informou por meio de nota que “tal invasão é absolutamente injustificável uma vez que a Fazenda Santa Maria é reconhecidamente produtiva, inclusive detentora de reserva particular do patrimônio natural que faz parte do corredor da Biodiversidade Santa Maria, que é um dos maiores projetos ambientais do Paraná”. “Nesse contexto, considerando a patente ilegalidade da citada invasão, estamos adotando as providências judiciais e administrativas necessárias a recomposição da posse alvo de esbulho ocorrida na data de hoje de forma arbitrária”, diz.

A fazenda Santa Maria tem uma área total de 1750 hectares, sendo 500 hectares de reserva legal e mata ciliar, 300 hectares de agricultura e 900 hectares de pastagem para gado de corte. A fazenda possui uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) de 242 hectares que faz parte do Corredor da Biodiversidade Santa Maria.

O MST reivindica que a área seja destinada para a reforma agrária. No Paraná, são mais de 12 mil Sem Terra acampados em 80 áreas.

Fotos: colaboração / PRF / Rádio Cultura de Foz do Iguaçu / Repórter da Hora

 

 

 

 

 

Previous ArticleNext Article