Separação pode ter motivado chacina no Oeste, diz PM

Policial militar de Toledo estava em processo de separação de sua esposa, Kassiele, e não aceitava o divórcio.

Rafael Nascimento - 15 de julho de 2022, 10:42

Foto: Reprodução/Facebook
Foto: Reprodução/Facebook

A separação de sua esposa pode ter motivado a ação do policial militar Fabiano Junior Garcia, que matou oito pessoas em Céu Azul e Toledo, no Oeste do Paraná, e tirou a própria vida, entre a noite de ontem e a madrugada desta sexta-feira (15). A tragédia chocou o país.

Em entrevista coletiva na manhã de hoje, o comandante-geral da Polícia Militar do Paraná (PMPR), Coronel Hudson Leôncio Teixeira, confirmou que o soldado, que era lotado no 19º Batalhão, em Toledo, estava em processo de separação de sua esposa, Kassiele, e que não aceitava o divórcio.

“Ele enviou alguns áudios para a família e amigos explicando a situação, o que deu a entender como um fator de motivação para essa tragédia sua separação, que ele não estava aceitando", disse o Coronel.

Kassiele, de 28 anos, foi uma das oito vítimas que foram mortas pelo soldado Fabiano Junior Garcia. Além da esposa, o PM também matou seu filho Miguel, de quatro anos, sua filha Kamili, de nove anos, a enteada Amanda, de doze anos, o irmão Claudiomiro, de 50 anos, a mãe Irene, de 78 anos, e ainda outros dois rapazes, sem parentesco com o oficial, de 17 e 19 anos.

Seis das vítimas da chacina cometida pelo PM Fabiano eram da sua família. Foto: Reprodução/Facebook

Após os crimes, o soldado se matou com um tiro na cabeça, utilizando sua arma funcional.

O comandante da corporação explicou ainda que o militar teve tempo de pensar e se arrepender, mas mesmo assim continuou com as mortes. "Ele teve tempo no deslocamento de uma região para a outra para se arrepender. Eu presumo que ele tinha um planejamento, já tinha a intenção e infelizmente estava decidido", completou.

O comandante-geral da PM estacou ainda que não havia nenhum indício que poderia indicar problemas psicológicos com o policial, que atuava como motorista do Coordenador do Policiamento da Unidade onde era lotado, um cargo de confiança.

"O soldado Fabiano era um excelente profissional. Fiz questão de hoje pela manhã falar com o comandante direto dele. A função que ele exercia era uma função de confiança, onde são escolhidos os melhores oficiais. Não havia nenhum indicativo além da questão da separação e de algumas dívidas que ele tinha. Essa situação causou estranheza, surpresa e decepção em todos nós”, finalizou.

Confira a nota da PMPR na íntegra:

"A Polícia Militar está consternada e lamenta profundamente o ocorrido nas cidades de Toledo-PR e Céu Azul-PR.

O policial militar que prestava serviços no 19º Batalhão em Toledo não tinha histórico de problemas psicológicos e atuava como motorista do Coordenador do Policiamento da Unidade.

Desde dezembro de 2020 a região conta com o apoio do programa PRUMOS, que disponibiliza atendimento psicológico aos militares, com profissionais contratados para atuar nas Organizações Policiais Militares."