Sem reunião e acordo, servidores seguem em greve pela reposição salarial

Francielly Azevedo


A coordenação do Fórum das Entidades Sindicais (FES), responsável pelo movimento grevista dos servidores, afirmou que recebeu, no início da noite desta terça-feira (25), a informação de que o governador Ratinho Junior (PSD) cancelou uma reunião que estava marcada para essa quarta-feira (26) com o comando de greve dos servidores. Por isso, segundo a entidade a paralisação continua.

O encontro estava previsto para as 11h. O diálogo buscaria um acordo entre Governo e servidores. Para a coordenação do FES, a decisão do governador demonstra, mais uma vez, sua falta de interesse em dialogar com os servidores e buscar uma solução para a greve. A expectativa é de que Ratinho Junior reveja o posicionamento.

A reportagem do Paraná Portal entrou em contato com a assessoria do governador, que informou que não havia reunião marcada pessoalmente com Ratinho. Na próxima semana deve ser apresentada uma proposta de negociação com o funcionalismo.

REAJUSTE

Os servidores estaduais pedem no mínimo a recomposição salarial da inflação oficial do último ano, calculada em 4,94% no mês da data-base, segundo o índice IPCA. Os trabalhadores denunciam uma defasagem de até 17% nos salários, congelados desde 2016.

Sindicatos que representam os servidores públicos apontam que os salários congelados estão diminuindo sensivelmente o poder de compra e a qualidade de vida dos funcionários. Segundo o DIEESE, de 2015 a 2019, a água e o esgoto estão 30% mais caros; o gás de cozinha subiu 22,42%; e a gasolina aumentou 15% desde o último reajuste salarial.

PROMESSAS

Segundo os servidores, em 2018, Ratinho liderou um grupo de deputados na Assembleia Legislativa do Paraná para exigir da ex-governadora Cida Borghetti o pagamento da reposição salarial, a data-base. Na época, o então deputado publicou em sua rede social uma entrevista, de cerca de quatro minutos que concedeu ao vivo a um canal de TV, onde defendeu a reivindicação dos servidores.

Os trabalhadores ainda destacam que durante a campanha eleitoral, Ratinho Junior prometeu se reunir com os sindicatos em um dos primeiros atos do seu governo para garantir o pagamento da data-base. Passados seis meses de gestão, Ratinho ainda não se reuniu com os sindicatos. No início deste ano, o governo disse que teria uma proposta até o final de abril, o que não aconteceu.

Os profissionais afirma que o governo só passou a dialogar oficialmente depois da manifestação que reuniu mais de 10 mil em Curitiba, no último 29 de abril. Dessa vez a promessa era apresentar uma proposta em até 30 dias.

Foram realizadas oito reuniões entre técnicos e lideranças dos sindicatos para debater a pauta de reivindicações. O prazo acabou e o governo não fez nenhuma proposta, empurrando os servidores para a greve.

 

 

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Jornalista, formada pela Universidade Tuiuti do Paraná. Tem passagens pela TV Educativa, TV Assembleia, TV Transamérica, CATVE, Rádio Iguassu e Folha de Londrina. Atualmente trabalha no Paraná Portal e na Rádio CBN.
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