Servidores são denunciados por extravio de peças de veículos oficiais

Quatro pessoas, entre elas dois servidores do Deto (Departamento de Gestão do Transporte Oficial da Secretaria de Estado..

Redação - 24 de outubro de 2019, 10:53

Foto: AEN
Foto: AEN

Quatro pessoas, entre elas dois servidores do Deto (Departamento de Gestão do Transporte Oficial da Secretaria de Estado da Administração e da Previdência), foram denunciadas por associação criminosa, peculato e fraude à licitação por extraviarem peças de veículos oficiais do Estado. A denúncia foi apresentada pela 1ª Promotoria de Justiça de Proteção ao Patrimônio Público de Curitiba na última segunda-feira (21), mas foi divulgada hoje.

De acordo com o MP-PR (Ministério Público do Paraná), a investigação apontou que os servidores desviavam, em proveito próprio, peças de veículos que estavam no pátio do Deto. O local é para para onde são destinados os veículos oficiais do Estado que não possuem mais uso, para serem avaliados e vendidos em leilões como sucatas ou inservíveis, bem como para reutilização das peças em outros veículos oficiais.

Ainda conforme a denúncia, as peças eram utilizadas, posteriormente, em veículos que eles próprios, por meio de "laranjas" (mulher e filho de um deles) adquiriam em leilões públicos.

Os fatos ocorreram entre os anos de 2001 a 2014. Mas, há indícios de que a prática também ocorreu em leilões realizados entre os anos de 2015 a 2018. Esses indicativos estão sob investigação.

Os servidores trabalhavam no pátio do Deto como mecânicos, sendo um deles também avaliador dos veículos que eram destinados aos leilões públicos de sucatas e inservíveis.

Além da condenação, os promotores pedem a perda da função pública dos servidores.

OPERAÇÃO PEÇA CHAVE

Os veículos oficiais do Estado são pivô de um outro caso investigado pela Polícia Civil: o de fraude na manutenção dos carros. A investigação aponta que os envolvidos teriam estabelecido uma sistemática que envolvia a falsificação e adulteração de orçamentos de oficinas mecânicas, de modo a elevar o valor do serviço prestado, provocando superfaturamentos que chegam à 2450%. Além disso, utilizariam peças do mercado alternativo, de qualidade e preço inferior, na manutenção de ambulâncias e viaturas policiais, cobrando do Estado como se fossem peças originais.

Os líderes do esquema teriam criado uma complexa estrutura, que envolve “laranjas”, dezenas de familiares e empresas de fachada, para ocultar e dissimular a origem criminosa do dinheiro.

Segundo as investigações, uma organização criminosa teria praticado os crimes de fraude à licitação, falsidade ideológica, falsificação de documento particular, inserção de dados falsos no sistema, fraude na execução do contrato e lavagem de dinheiro.