Servidores são denunciados por extravio de peças de veículos oficiais

Redação


Quatro pessoas, entre elas dois servidores do Deto (Departamento de Gestão do Transporte Oficial da Secretaria de Estado da Administração e da Previdência), foram denunciadas por associação criminosa, peculato e fraude à licitação por extraviarem peças de veículos oficiais do Estado. A denúncia foi apresentada pela 1ª Promotoria de Justiça de Proteção ao Patrimônio Público de Curitiba na última segunda-feira (21), mas foi divulgada hoje.

De acordo com o MP-PR (Ministério Público do Paraná), a investigação apontou que os servidores desviavam, em proveito próprio, peças de veículos que estavam no pátio do Deto. O local é para para onde são destinados os veículos oficiais do Estado que não possuem mais uso, para serem avaliados e vendidos em leilões como sucatas ou inservíveis, bem como para reutilização das peças em outros veículos oficiais.

Ainda conforme a denúncia, as peças eram utilizadas, posteriormente, em veículos que eles próprios, por meio de “laranjas” (mulher e filho de um deles) adquiriam em leilões públicos.

Os fatos ocorreram entre os anos de 2001 a 2014. Mas, há indícios de que a prática também ocorreu em leilões realizados entre os anos de 2015 a 2018. Esses indicativos estão sob investigação.

Os servidores trabalhavam no pátio do Deto como mecânicos, sendo um deles também avaliador dos veículos que eram destinados aos leilões públicos de sucatas e inservíveis.

Além da condenação, os promotores pedem a perda da função pública dos servidores.

OPERAÇÃO PEÇA CHAVE

Os veículos oficiais do Estado são pivô de um outro caso investigado pela Polícia Civil: o de fraude na manutenção dos carros. A investigação aponta que os envolvidos teriam estabelecido uma sistemática que envolvia a falsificação e adulteração de orçamentos de oficinas mecânicas, de modo a elevar o valor do serviço prestado, provocando superfaturamentos que chegam à 2450%. Além disso, utilizariam peças do mercado alternativo, de qualidade e preço inferior, na manutenção de ambulâncias e viaturas policiais, cobrando do Estado como se fossem peças originais.

Os líderes do esquema teriam criado uma complexa estrutura, que envolve “laranjas”, dezenas de familiares e empresas de fachada, para ocultar e dissimular a origem criminosa do dinheiro.

Segundo as investigações, uma organização criminosa teria praticado os crimes de fraude à licitação, falsidade ideológica, falsificação de documento particular, inserção de dados falsos no sistema, fraude na execução do contrato e lavagem de dinheiro.

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