Sesa alerta para a baixa cobertura vacinal em crianças

Pelo menos 10 vacinas administradas em crianças e adolescentes sofreram redução, entre elas a vacina BCG, segundo a pasta.

Redação - 30 de maio de 2022, 11:32

Ricardo Marajó/SMCS
Ricardo Marajó/SMCS

A vacinação de crianças e adolescentes no Brasil registra queda desde 2015, situação ampliada ao longo da pandemia de Covid-19. A Secretaria de Saúde do Paraná (Sesa), alerta a população sobre a importância de manter a carteira de vacinação em dia.

Pelo menos 10 vacinas administradas em crianças e adolescentes sofreram redução, entre elas a vacina BCG, que confere proteção contra a tuberculose e a vacina contra a poliomielite, que previne a paralisia infantil - o imunizante teve adesão de 100% das crianças em 2015, e 77,23% de cobertura em 2021.

“Mesmo com essa grande campanha de imunização na pandemia, os índices de cobertura vacinal como um todo caíram em todo País nos últimos anos. A erradicação de algumas doenças trouxe a falsa ideia do desaparecimento total. Um bom exemplo disso é o sarampo, que em 2018 voltou a circular no Brasil. O Paraná, que estava há mais de vinte anos sem registro da doença, teve um surto de 2019 a 2020 com mais de 1,7 mil casos confirmados”, explica o secretário de Estado da Saúde, César Neves.

O Ministério da Saúde mostra que a vacina da Hepatite B, aplicada logo após o nascimento, apresentou queda de mais 55% na aplicação: em 2021, a cobertura estava em 57,18%, e em 2015, foi de 88,74%.

A Tríplice Viral, responsável pela proteção contra o sarampo, caxumba e rubéola, é aplicada aos 12 meses de idade. A cobertura vacinal foi de 90,55% em 2015, e no ano passado, a adesão foi de 82,45%.

Já a Pentavalente, que é aplicada aos dois, quatro e seis meses e protege contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e infecções causadas pelo Haemophilus Influenzae B teve uma baixa de quase 20 pontos percentuais; em 2015 a cobertura vacinal foi de 94,4%, enquanto em 2021 o percentual ficou em 78,23%.

Segundo a enfermeira especialista em vacinação da Clínica Vacinne, Kátia Oliveira, o ciclo de vacinação precisa ser completo, ou seja, todas as doses precisam ser tomadas para garantir a imunização. “Além de proteger o indivíduo, quanto maior a taxa de vacinação no país, menor a chance de surtos de doenças e a volta de doenças já erradicadas”, afirma a especialista. O sarampo, por exemplo, que não apresentava casos no Paraná há 20 anos, registrou mais de 1.7 mil casos entre 2019 e 2020.

Agora, com a chegada do inverno, Katia lembra que completar o ciclo de vacinação é essencial para manter a imunidade alta e evitar os surtos de doenças. "As vacinas contra a doença pneumocócica, oferecida em versões como pneumocócica conjugada 13-valente, indicadas para crianças na primovacinação e para os adultos em dose única; e a pneumocócica 23 é recomendada para crianças a partir de 2 anos, adultos e idosos, além da tríplice bacteriana acelular do tipo adulto (dTpa) e a vacina quádrupla bacteriana acelular do tipo adulto (dTpa-VIP) fortalecem o sistema imunológico , além de colaborar também para não sobrecarregar o Sistema Único de Saúde (SUS)", disse.

Cada organismo apresenta uma resposta única para as vacinas, e a imunidade costuma cair com o tempo. “Por isso o calendário prevê os ciclos e reforços das imunizações, por toda a vida. Manter as vacinas em dia é essencial para deixar o organismo mais fortalecido, e também para garantir uma imunidade coletiva”, finaliza.