Cantor diz que não se arrepende de show polêmico no Mercado Sal: “fui trabalhar”

Vinicius Cordeiro

Um dos líderes da banda lamenta falta de assistência aos músicos no Paraná: "governo não faz nada para nós".
show mercado sal curitiba

Franklin Leal, cantor do grupo “100 Controle”, não se arrepende do show que fez no Mercado Sal, centro gastronômico de Curitiba, no último domingo (7). Em meio à pandemia do coronavírus, a performance gerou aglomeração de pessoas sem máscara – descumprindo diversas medidas sanitárias para combater a disseminação da doença – e teve enorme repercussão na capital paranaense.

Ele, que também é líder do Samba Solidário, assume o erro que os integrantes que não cantam deveriam estar usando máscara e reitera a questão econômica nesse período. Além disso, também fez um desabafo em relação sobre toda a classe artística, dizendo que há cerca de cinco mil músicos em Curitiba sem assistência do governo nesse período.

“Não. Sabe porque a gente não se arrepende? Estamos há 92 dias sem trabalhar. A gente fazia 28 datas por mês. O cachê era de R$ 900. Não tem ninguém no governo do Paraná correndo pelos músicos. Ninguém trabalha para nós, ninguém faz nada pra gente, não tem projeto nenhum”, diz ele ao Paraná Portal.

Além disso, Leal relata que interviu muitas vezes ao longo da apresentação e pediu para que as pessoas respeitassem distanciamento e o uso de máscaras.

“O 100 Controle não falou para a galera ficar sem máscara e foda-se. Paramos o show 30 vezes para falar que tinha que usar máscara e ficar sentado”, completa.

Segundo Leal, nenhum dos cinco integrantes fixos da banda de Curitiba conseguiu o auxílio emergencial do governo federal e que a banda chegou a fazer lives para arrecadação de cestas básicas durante a pandemia. “Isso que é complicado, aí agora todo mundo atacou”, diz.

Por fim, ele ainda conta que os ataques à banda nas redes sociais ainda fez com que novos shows fossem cancelados. “Fomos expostos demais e isso atrapalhou muito”, completa.

Em nota no Facebook, o grupo ainda reiterou que foi fazer seu trabalho e que a “organização do evento não teve controle”. Mesmo assim, a banda pediu desculpas a qualquer cidadão que tenha se sentido lesada pelo episódio.

Já o Mercado Sal se posicionou em nota mais sucinta, dizendo que situações pontuais de aglomeração serão combatidas e que está respeitando as medidas recomendadas pelas autoridades.

SHOW POLÊMICO DURANTE A PANDEMIA GERA REPERCUSSÃO EM CURITIBA

O show do Mercado Sal viralizou nas redes sociais neste último final de semana, mas foi apenas um dos registros de aglomerações em Curitiba. O Largo da Ordem, o Shopping Hauer e outros bares foram notificados pela prefeitura de Curitiba.

Nas redes sociais, o prefeito de Curitiba Rafael Greca (DEM) disse que irá cassar o alvará de funcionamento do Mercado Sal caso a cena se repita. Além disso, hoje ele citou “episódios recentes de licenciosidade contra o vírus” ao admitir que a cidade poderá ter lockdown.

Já a secretária de Saúde, Márcia Huçulak, demonstrou profunda irritação com as cenas e disse que medidas mais restritivas serão tomadas.

Até o momento, o Paraná registra 7.314 casos e 253 mortes por coronavírus, sendo 1.399 casos e 63 mortes em Curitiba.

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