Sob nova gestão, Evangélico quer voltar à operação total

Brunno Brugnolo - Metro Curitiba


Após quatro anos de intervenção judicial, o Hospital Evangélico de Curitiba tem oficialmente um novo dono e prevê novos tempos. Desde o dia 2 de janeiro, o Instituto Presbiteriano Mackenzie (SP) está com posse em definitivo da unidade, que agora se chama Hospital Universitário Evangélico Mackenzie.

O arremate em leilão na Justiça do Trabalho do consórcio formado com a Associação Beneficente Douradense (MS), por R$ 215 milhões, aconteceu no fim de setembro, mas questionamentos judiciais atrasaram a transição completa, que foi encerrada há apenas 27 dias.

Sob nova gestão, que não assumiu nenhum passivo, o hospital quer deixar para trás os tempos de dívidas com colaboradores e fornecedores, greves, fechamento do pronto-socorro, falta de insumos e operação abaixo da metade de sua capacidade total.

Segundo o novo diretor-geral do hospital, Rogério Kampa, um plano de trabalho e de investimentos futuros está em andamento para que no médio prazo o Evangélico volte a funcionar em plena capacidade. “Está operando hoje com 366 leitos, nós vamos levantar já nos próximos dias para 447 e a meta é chegar a 514 no total”, afirmou ao Metro Jornal.

Em boa parte dos últimos anos, a unidade trabalhava na casa dos 150 leitos, por exemplo. “Já reativamos mais uma UTI adulto, vamos abrir mais uma UTI de transplantes nos próximos dias e vamos ampliar várias especialidades em que o hospital já é habilitado, mas que estavam paradas. Vamos retomar progressivamente, estamos negociando com as equipes médicas como fazer para operacionalizar isso”, declarou Kampa.

De acordo com o diretor, o contrato assinado com a prefeitura na segunda-feira passada de R$ 131,5 milhões (cerca de R$ 11 milhões mensais) pelos serviços prestados gratuitamente via SUS são suficientes para a manutenção do hospital e atendimento de 386 leitos – quantidade reservada exclusivamente para o SUS Curitibano. “Temos essa contratualização com o município e agora nós vamos buscar outras fontes [governamentais e privadas] para fazer investimento em cima”, disse.

Kampa diz que serão necessários grandes investimentos para modernizar os equipamentos do hospital já que existem “coisas boas e ruins”. O diretor-presidente do Instituto Presbiteriano Mackenzie, José Inácio Ramos, comenta que um trabalho minucioso está sendo feito. “Já temos algumas coisas no horizonte para investimento imediato e teremos que eleger prioridades. Depois de quatro anos de intervenção, qualquer instituição sofre muito”.

Segundo ele, o compromisso é “resgatar a história do Evangélico para a cidade e oferecer a Curitiba o que ela sempre teve, um hospital de ponta”. O Evangélico é o maior hospital filantrópico do Paraná e referência em áreas como a de queimados e gestação de alto risco, que chegou a ter cerca de um quinto das internações da capital.

Professores do Mackenzie devem atuar em melhorias de processo na unidade, que com o aumento de leitos voltará a empregar mais de 2 mil pessoas – hoje são 1,7 mil. “Para cada leito são quatro funcionários, na média”, diz Ramos.

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