Sobrevivente de chacina relata ameaça de policiais

Andreza Rossini


Um dos sobreviventes da chacina de Londrina, no norte do Paraná, que deixou pelo menos 12 pessoas mortas em janeiro deste ano, denuncia ameaça constante de policiais. “Hoje eu me sinto oprimido pela polícia porque eu continuo sendo ameaçado. Não só eu como várias outras vítimas que sobreviveram e continuam sendo ameaçadas por viaturas na rua, tanto da Choque, quanto da Bope e da Polícia comum”, afirmou o homem que preferiu não se identificar.

O Sindicato dos Jornalistas e a força-tarefa da investigação receberam uma carta-denúncia, que foi encaminhada ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e à Comissão de Direito Humanos da Câmara do município. Trata-se do relato de uma testemunha que teria ouvido a conversa dos policiais após a chacina. A carta afirma que as mortes não tinham relação com o assassinato de um policial militar pouco antes das mortes, mas era a tentativa de assassinato de outro PM, segundo informações da TV Tarobá.

Uma força-tarefa foi criada para investigar o caso. Oito policiais foram presos e seis cumpriram mandados de condução coercitiva, quando são levados para prestar depoimento. A vítima relata que após as prisões as ameaças pioraram. “Eles abordam e falam que na madrugada eles vão matar e jogar flagrante”, disse.

Ele relata que após os disparos a polícia recolheu as possíveis provas dos crimes. “Meteram bala em todo mundo. Os alvos eram cabeça, tórax e coração. Eles não falaram nada, só meteram bala. Depois a Polícia Militar chegou e recolheu as capsulas, isso e aquilo, e ‘pegou’ as imagens das câmeras de segurança. Vítimas que foram baleadas em locais como a barriga, poderiam estar vivas se não fosse a negligência no socorro prestado pela polícia militar”, afirmou, em entrevista à TV Tarobá de Londrina.

Veja aqui a entrevista em vídeo da TV Tarobá. 

Associação de policiais repudia prisão de PMs envolvidos em chacina

O caso

Pelo menos 12 pessoas foram mortas entre os dias 29 e 30 de janeiro deste ano, em Londrina, no norte do estado, depois de um assassinato de um policial militar na zona norte da cidade. Além das mortes, as unidades de saúde do município registraram a entrada de pelo menos 16 pessoas baleadas no mesmo período.

A chacina teria acontecido como forma de retaliação a morte do policial militar.

Homens encapuzados invadiram residências e bares disparando a esmo, segundo testemunhas. Entre os mortos, pelo menos cinco tinham antecedentes criminais. No dia, alertas foram disparados pelo WhatsApp à população para que deixassem as ruas devido a um possível confronto entre a PM e o Primeiro Comando da Capital (PCC).

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