Suspeita de raptar menino é transferida; Maria Paraguaia nega crime

Narley Resende


Narley Resende e Fernando Garcel

Maria Conceição Queiroz, conhecida como Maria Paraguaia, suspeita de ser a responsável por trazer do Paraguai o menino de um ano, que teria sido encontrado andando sozinho por uma rua de Cascavel, oeste do Paraná, nega ter ralação com o tráfico de crianças. De acordo com a Polícia Federal (PF), em depoimento nesta quarta-feira (25), ela manteve a versão de que encontrou o menino abandonado na rua. Maria Paraguaia foi transferida para a cadeia feminina de Corbélia (PR).

Antes de ser interrogada, Maria foi quem acionou o Conselho Tutelar e disse que havia achado a criança em frente à sua casa, no último dia 10 de outubro. Ela é conhecida na região por atuar em causas sociais e já prestou serviços de arrecadação e doação de roupas e alimentos.

Nessa terça-feira (25), assim que chegaram à casa dela, os policiais encontraram, ainda, duas meninas, uma de 9 anos e outra que não teve a idade levantada.

Quando entrava na viatura policial, a suspeita negou que as garotas fossem crianças traficadas. “A pequena é minha sobrinha e a outra é minha filha, que eu criei. Eu vou provar, porque o documento eu tenho. O menino, eu não sei (de onde é)”, disse à equipe da TV Tarobá, afiliada da Band em Cascavel.

Uma vizinha de Maria Paraguaia disse que já havia visto a mulher aparecer com outras crianças em casa.

“Ela foi e voltou [ao Paraguai]. Quando voltou trouxe a menina mais velha. Ficou uns dez dias com essa menina aqui. Aí ela tornou a ir. Aí [perguntei]: mas vai de novo para o Paraguai. Aí ela foi e voltou com mais duas crianças. ‘Maria do céu, de quem são essas duas crianças? Da menina, da irmã dela. Porque ela [a irmã] não quer mais lá. ‘Daí eu vou cuidar deles’. Aí de repente eu vi que as crianças sumiram. Só estava ela e esse carinha do Uno, sempre vinha aí”, conta.

O objetivo da polícia agora é tentar localizar quem supostamente iria adotar ilegalmente o menino e, também, encontrar os pais, para saber se ele foi raptado ou até mesmo vendido para ser trazido ao Brasil.

A prisão em flagrante, de acordo com o delegado, Mario Cesar Leal Junior, foi baseada na presença da menina de nove anos na casa da suspeita, o que caracterizou o crime e a prisão em flagrante.

“Nós vamos fazer isso [contactar possíveis familiares da criança] através de um grupo que reúne as autoridades policiais do Brasil, Paraguai e Argentina. É um canal mais ágil de cooperação policial. Eu vou encaminhar as informações que nós temos, solicitar algumas diligências e esperar o resultado que vem das autoridades de lá”, explicou o delegado na manhã desta quarta-feira.

Leal Junior afirmou que só vai falar novamente sobre o caso após intimar e ouvir todas as testemunhas.

O tráfico internacional de pessoas prevê reclusão de 4 a 8 anos, e multa. No entanto, a pena é aumentada de um terço até a metade se o crime for cometido contra uma criança.

A criança está sob cuidados do Conselho Tutelar e não apresenta ferimentos ou sinais de abusos. Para garantir que a criança seja entregue para a pessoa certa, quem foi identificado como ou pai será submetido ao exame de DNA. Os responsáveis devem ser interrogados. Há a possibilidade de a criança ser encaminhada para adoção.

CapturarSuposta origem paraguaia

Após a divulgação da reportagem sobre o menino em um portal de notícias do Paraguai algumas pessoas afirmaram que a criança se chama Bruno U. P. e teria origem paraguaia.

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Em um perfil de rede social de uma pessoa, que supostamente seria a mãe Bruno, existe a foto de uma criança muito semelhante ao garoto encontrado em Cascavel.

O menino segue em um abrigo e deverá voltar ao Paraguai caso seja comprovada a nacionalidade.

Autoridades que investigam o caso deverão levantar informações de que forma ele saiu do Paraguai. Se foi com consentimento dos pais ou não.

A Polícia Federal deve falar com a imprensa sobre o caso nesta quarta-feira (25).

Foto: Divulgação/Vara da Infância e Juventude
Foto: Divulgação/Vara da Infância e Juventude
Maria Paraguaia é conhecida em Cascavel por envolvimento em ações sociais. Reprodução / TV Band.
Maria Paraguaia é conhecida em Cascavel por envolvimento em ações sociais. Reprodução / TV Band.

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