Homem suspeito de matar ex-policial é preso no Uruguai após forjar própria morte

Jorge de Sousa

Homem suspeito de matar policial é preso no Uruguai após forjar própria morte

Um homem suspeito dos homicídios do ex-policial civil Samir Skandar e do porteiro Alvari de Paula Silva foi preso nesta sexta-feira (24) no Uruguai por agentes da Interpol.

Hernandes Oliveira da Silva, conhecido como Mike, é suspeito de cometer esses crimes em um barracão na Linha Verde, no Bairro Alto, em Curitiba, em novembro de 2019.

Além dos homicídios, Mike Hernandes é suspeito de chefiar uma organização criminosa responsável por tráfico internacional de cocaína na América do Sul.

Para atrapalhar as investigações da Polícia Civil do Paraná , Hernandes forjou a própria morte, tendo inclusive realizado uma cerimônia funerária em Assunção, capital do Paraguai.

“É uma pessoa com altíssimo poder econômico, articulado e com muitos profissionais ao seu lado. Nós imaginávamos que ele tinha simulado o enterro em Foz do Iguaçu, mas ocorreu em Assunção para dificultar qualquer perícia, como a exumação do cadáver”, explicou a delegada responsável pelo caso, Thatiana Guzella.

O suspeito estava residindo em Canelones, cidade no litoral do Uruguai, a 40 quilômetros da capital Montevidéu. Junto dele foram apreendidos 4 mil dólares e 126 mil pesos uruguaios, que convertidos equivalem a aproximadamente R$ 351,3 mil.

“Ele usava um documento falso brasileiro como oriundo do Pará, no nome de Juan. Por ter sido encontrado com dinheiro, está sendo autuado também no Uruguai por crime fiscal”, continuou Guzella.

‘MIKE’ É SUSPEITO DE MAIS HOMICÍDIOS EM CURITIBA

‘Mike’ Hernandes também é investigado pelo homicídio do sérvio Marjan Jocic, também membro da organização criminosa de tráfico de cocaína.

Além de Jocic, um esloveno membro da organização conhecido como “primo vegano” e com sobrenome Slacko está desaparecido, com esse crime também relacionado a Hernandes.

Um dos comparsas de Hernandes, Luka Maric, foi preso nesta semana na BR-116 em Juquiá, São Paulo. Maric é croata e também estava na lista de procurados pela Interpol.

Hernandes já havia sido preso no dia 20 de março deste ano em Itapema, Santa Catarina. Mas por um erro de um funcionário do Depen (Departamento Penitenciário) do estado acabou solto no dia seguinte.

No dia 22 de junho, Hernandes simulou a própria morte em Assunção, com a causa do óbito sendo registrada como infarto por insuficiência respiratória.

Guzella explicou que já solicitou a extradição de Hernandes para o Brasil e que irá colher o depoimento do suspeito em Curitiba.

“A organização é grande, voltada para o tráfico internacional de cocaína, vamos mandar o que temos para as forças de segurança que reprimem o tráfico para que elas investiguem. Quantos aos homicídios estamos concluindo a investigação principal, não impedindo que surgindo novas provas, serão encaminhadas à Justiça”, pontuou Guzella.

Ainda segundo a delegada, Samir Skandar foi assassinado porque Hernandes descobriu que Samir já havia sido policial civil em Curitiba.

“Ele (Samir) desobedeceu a ordem, não sequestrou o alvo que era conhecido como ‘Papaléguas’ e com isso levantou suspeita. Então investigaram o Samir e descobriram que ele era ex-policial, mas acharam que ele ainda era policial, informação que o próprio confirmou. Alguns dias depois ele foi morto.

Previous ArticleNext Article