Tarifa de água pode ter mais um reajuste no ano

Lucian Pichetti - CBN Curitiba e Alexandra Fernandes


O Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) divulgou um estudo em que considera abusivo o aumento de 12,13% da tarifa de água e esgoto da Sanepar, homologado no último dia 15, pela Agência Reguladora do Paraná (Agepar).

De acordo com o estudo do Dieese, o impacto maior é para quem recebe um salário mínimo, já que o reajuste foi acima do índices inflacionários. Por conta do momento da economia, há defasagem salarial e também desemprego, o que tem comprometido consideravelmente a renda da população. O órgão alerta que a Sanepar, que é de economia mista e tem uma parte do estado, deveria pensar no lado social antes da decisão.

Para o economista do Dieese, Fabiano Camargo da Silva, o reajuste só beneficia os acionistas já que o ganho real com a elevação da tarifa pode chegar a 7%. “O aumento é maior do que a inflação do período. Se pegar o IPCA o ganho real chega a mais de 7%, muito acima do que qualquer reajuste salarial. Com a nova gestão, a partir de 2011/2012, houve uma mudança na política de  administração da empresa, de aumentar expressivamente as tarifas. E com isto as receitas acabam crescendo as receitas e consequentemente o lucro, que aumento 600% no período.”

Segundo Dieese novos reajustes não estão descartados. O pedido de revisão tarifária feito pela Sanepar a Agência Reguladora do Paraná (Agepar) foi de quase 23%. O órgão regulador liberou os 12,3% e deixou margem para que novas solicitações de aumento sejam feitas.  “A nota divulgada pela Agepar abre a possibilidade para que nos próximos meses haja uma revisão de tarifas extraordinárias. com audiências públicas. Não está descartada a possibilidade de novos aumentos para o consumidor.” disse o economista do Dieese.

Comércio apreensivo

A Associação Comercial do Paraná (ACP) também se posicionou contrária ao aumento.

O presidente Glauco Geara publicou um manifesto nas redes sociais da organização.

No texto, ele demonstra preocupação com o reajuste e diz que o índice (12,13%) supera muito o da inflação oficial do país (IPCA), que foi de 4,3% – de maio de 2018 a abril de 2019.

O texto diz ainda que “a autorização de tal índice de reajuste para a tarifa de água e esgoto dos consumidores paranaenses causará impacto significativo nos custos de empresas de vários segmentos, contribuindo para a elevação dos preços finais de seus produtos”.

O manifesto encerra com o pedido de revisão ou parcelamento do índice, para diminuição do impacto ao consumidor.

Assembleia

O aumento na conta de água e esgoto foi discutido pelos parlamentares paranaenses na semana passada. Na manhã desta terça-feira (23), o diretor-presidente da Sanepar, Claudio Stabile, e o presidente da Agepar, Omar Akel, participam de uma reunião com os deputados para prestar contas sobre o reajuste.

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