Polícia invade casa em Cafelândia e encerra sequestro após 30 horas

Terminou às 18h20 o sequestro em Cafelândia, no oeste do Paraná. Ezequiel Basílio Mendes manteve dois enteados em cárcer..

Redação - 03 de dezembro de 2019, 18:36

Reprodução/Tarobá
Reprodução/Tarobá

Terminou às 18h20 o sequestro em Cafelândia, no oeste do Paraná. Ezequiel Basílio Mendes manteve dois enteados em cárcere privado por quase 30 horas. Com o homem irredutível, a polícia decidiu invadir o local no momento em que o sequestrador voltou a ameaçar as crianças. Não houve feridos: todos foram encaminhados a hospitais da região.

"A situação teve um desfecho bom. Não houve ferimentos: as duas crianças estão bem e o sequestrador também", relatou o major Jorge Aparecido Fritola, comandante da operação.

De acordo com a PM-PR (Polícia Militar do Paraná), uma menina de 14 anos e um menino de 12 foram feito reféns desde o início da tarde de segunda-feira (2). Ainda não há explicação para o sequestro.

O BOPE (Batalhão de Operações Especiaisnegociou por quase 30 horas com o rapaz. No entanto, como ele não se entregou, a polícia decidiu invadir o local.

"Quando ele recuou, o grupo tático interviu usando armamento não letal e conseguiu resgatar as vítimas sem ferir o sequestrador", concluiu Fritola.

POLÍCIA INVADIU A CASA PARA DAR FIM AO SEQUESTRO

Às 17h55, o capitão Baroncelli, da PM, havia informado que o sequestro deveria acabar antes de completar 30 horas.

"Tentamos todas as alternativas antes da invasão, mas todos acabaram sem ferimentos. Ele estava muito instável e não sabíamos o que poderia acontecer no minuto seguinte. O sequestrado se manteve o tempo todo no quarto, ou fazia as crianças de escudo", explicou o capitão Damasceno, do BOPE.

"Foram muitas horas de negociações intensas, mas chegou um momento que não evoluímos mais. Não há nenhum motivo aparente para o sequestro", concluiu.

PADRASTO TRATAVA ALCOOLISMO

Conforme uma assistente social que acompanha o caso, Ezequiel tem 39 anos e é alcoólatra. Ele concluiu parte do tratamento em janeiro e fazia acompanhamento desde então. De acordo com a profissional, ele tinha uma consulta marcada para as próximas semanas.

A irmã do sequestrador confirmou as informações. Ela ponderou que o homem tinha, aparentemente, um bom relacionamento com a esposa e os enteados.

De acordo com a PM-PR, o padrasto não fez nenhum exigência para dar fim ao cárcere privado. Os enteados foram amarrados e sofreram ameaças com uma faca.

BOPE LIDEROU NEGOCIAÇÕES

Uma equipe do BOPE se deslocou de Curitiba para ajudar nas negociações do sequestro. O local foi isolado. Um dos policiais conseguiu iniciar a conversa com o padrasto, que tem utilizado um espelho para se comunicar e mostrar ele e os adolescentes.

Segundo o major Fritola, o homem estava irredutível para encerrar o sequestro.

“Ele não entrou em detalhes do que seria o motivo de ele fazer as crianças de refém, nessa situação toda. Ele varia bastante o humor, as vezes ele tem picos de agressividade, de repente ele fica mais tranquilo. Então isso tem se desdobrado dessa forma”, afirmou.

O major disse que a noite toda foi de negociações e que o homem não dormiu. Apenas as crianças.

No local também estavam advogados, conselheiros tutelares e psicólogos.

A Secretaria de Segurança Pública disponibilizou um helicóptero para levar policiais de Curitiba para Cafelândia.

A aeronave e Consamu (Consórcio Intermunicipal Samu Oeste) seguiram de prontidão (no local com uma UTI móvel e uma equipe de suporte básico) para qualquer eventualidade.

Após serem libertadas pela equipe do BOPE, os adolescentes de 12 e 13 anos foram atendidos por uma equipe do Samu e encaminhados para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de Cafelândia. Ambos irão receber acompanhamento psicológico.

Já Ezequiel foi detido no local e encaminhado para a Delegacia da Polícia Civil de Cafelândia. A faca utilizada pelo padrasto para ameaçar os enteados também foi apreendida.

Além de manter os enteados em cárcere, Ezequiel destruiu diversos móveis da residência. O homem será indiciado pelos crimes de cárcere privado e ameaça.