Hospital promove testagem gratuita de hepatites B e C em Curitiba

A ação, de iniciativa do Hospital São Vicente, acontece no Parque Barigui; profissionais de saúde também irão tirar dúvidas sobre a doença.

Redação - 30 de julho de 2022, 07:15

Reprodução/Opas
Reprodução/Opas

Curitiba terá, neste sábado (30), uma ação gratuita de testagem contra as hepatites B e C. A ação, de iniciativa do Hospital São Vicente, acontece das 8h às 17h no Parque Barigui.

A instituição vai disponibilizar, ao todo, mil testes rápidos gratuitos. Profissionais de saúde também irão tirar dúvidas e esclarecer a população sobre a doença e a importância do diagnóstico precoce. A ação tem o apoio da Sociedade Brasileira de Hepatologia.

“Estima-se que cerca de 0,5 a 1% da população mundial, consequentemente brasileira, é portadora de hepatites B ou C, mas não sabe. No caso da Hepatite C, hoje já foram tratados e curados cerca de 158 mil pacientes no Brasil. Se partimos do princípio da estimativa de quem não sabe que tem a doença, são mais de 1 milhão de pessoas com o vírus. Onde estão todas essas outras pessoas que ainda não tiveram acesso ao tratamento? Esse é o nosso maior desafio hoje: diagnosticar os portadores de hepatites B e C”, avalia Aline Moura, hepatologista do Hospital São Vicente Curitiba.

As hepatites virais são divididas em cinco tipos, sendo que as B e C são as que requerem maior atenção. A cirrose é a principal complicação e pode levar 20 anos ou mais para se desenvolver sem apresentar sintomas. “O que mais vemos na prática é o indivíduo ser diagnosticado quando a cirrose já está instalada, e isso é um complicador. A cirrose é um fator predisponente para câncer de fígado”, alerta a hepatologista. “Quando falamos da hepatite B, essa tem o risco, inclusive, de causar câncer de fígado em indivíduos sem cirrose”, completa a especialista.

Em média, 80% dos casos de hepatite B se curam espontaneamente, mas os 20% restantes desenvolvem a forma crônica da doença, sem cura, porém com tratamento para casos indicados e acompanhamento médico periódico para todos. Desde 1998, a vacina contra hepatite B também entrou no calendário de imunização infantil no Brasil. “Mas, ainda temos muitas pessoas que nasceram antes dessa data e não foram vacinadas”, lembra a hepatologista, reforçando a importância de quem nunca tomou a vacina contra a hepatite B, que está disponível gratuitamente para pessoas de qualquer idade, procurar uma unidade de saúde para a imunização.

No caso da hepatite C, cerca de 80% dos infectados evoluem para a forma crônica da doença, que até pouco tempo atrás, antes dos avanços no tratamento, foi a principal causa de transplante de fígado no Brasil e no mundo.

Prevenção das hepatites

Amarelão nos olhos, denominado icterícia, febre, indisposição, dor no corpo e articulações, náuseas e vômitos, dor de cabeça e, algumas vezes, dor na parte superior da barriga. Esses são os sintomas mais conhecidos das hepatites. Contudo, eles são mais comuns na hepatite A, que é transitória.

“A hepatite A tem caráter benigno, não evolui com forma crônica, e a maioria das pessoas não desenvolve hepatite fulminante, quando precisa de transplante de emergência. Algumas vezes, precisam ser internadas, sobretudo os adultos que se infectam, mas na sequência começam a melhorar”, diz a hepatologista. Para prevenir, é preciso consumir alimentos bem higienizados, água potável e seguir os cuidados básicos de higiene, como sempre lavar as mãos. Desde 2014, também foi disponibilizada a vacina contra a hepatite A no calendário de imunização infantil.

Considerada uma doença sexualmente transmissível, a hepatite B pode ser prevenida através do uso de preservativo, cuidado no manuseio de materiais perfurocortantes, pois também pode ocorrer infecção por sangue e secreções contaminados, além do não compartilhamento de seringas nos casos de usuários de drogas injetáveis.

“A hepatite C é transmitida, principalmente, pelo contato com sangue contaminado, compartilhamento de seringas ou por materiais perfurocortantes não descartáveis ou mal esterilizados”, esclarece Dra. Aline Moura, lembrando para essa hepatite não tem vacina e que é sempre importante ficar atento a esterilizações de objetos em salões de beleza e estúdios de tatuagens, por exemplo.

Já os vírus das hepatites D e E não são prevalentes no Brasil, especialmente na região Sul.

Ação de testagem rápida e gratuita para as hepatites B e CData: neste sábado (30)Horário: 8h às 17hLocal: Parque Barigui (em frente ao Salão de Atos)