Testemunha do caso Daniel “está jurada de morte”

Roger Pereira

Primeira testemunha a apontar Edison Brittes Junior como assassino do jogador Daniel Corrêa Freitas, o rapaz que aparece recebendo um beijo de Brittes no vídeo registrado pro câmeras de segurança de um shopping, quando a família Brittes reuniu-se com testemunhas para combinar uma versão para o caso, está jurado de morte e não pode mais voltar a São José dos Pinhais.

O advogado da testemunha, Jacob Filho, levou nesta segunda-feira à Delegacia de São José dos Pinhais, áudios de ameaças recebidas pela mãe de Luas através do telefone celular.

“Logo depois que a testemunha veio até a delegacia de polícia e relatou tudo o que aconteceu, sua mãe passou a receber mensagens ameaçadoras, dizendo que ‘um bandidão’ procurou um tal de Tico, um amigo em comum dele e de Brites, dizendo que se ele voltar a São José dos Pinhais, será ‘apagado’”, conta o advogado, que explica que a ameça chegou através da mãe da testemunha porque ele está escondido em São Paulo, amparado pelo programa de proteção a testemunhas, sem seu celular e com as contas em redes sociais apagadas, não podendo ser localizado pelo interessados em ameaçá-lo.

Segundo o advogado, o beijo na cena registrada na segunda-feira posterior ao crime (ocorrido na manhã do sábado anterior) foi um “beijo de judas”, para identificar seu cliente. Segundo o advogado, já neste encontro no shopping, a testemunha foi afastada.


“O primeiro momento em que ele foi ameaçado, foi na casa, uma ameaça velada de que ninguém poderia sair. E, depois, no shopping, na segunda-feira, quando Edison fala que se o elo se rompesse, ele saberia quem foi. Isso motivou a testemunha a vir à delegacia e relatar o que aconteceu”, conta o advogado. “Ele estava sendo ameaçado, não tinha mais escolha. Ou falava a verdade, ou seria acusado de algo que não cometeu”, acrescentou.

Outro lado

Em nota, a defesa de Edison Brittes questiona a validade do material entregue á polícia. O texto, assinado pelo advogado Cláudio Dalledone, afirma que os áudios “não possuem validade jurídica” e apenas demonstram “a necessidade de quem os trouxe manter um protagonismo no caso Daniel”.

Confira a nota na íntegra:

Nota

A defesa técnica de Edson Brites Junior vem a público dizer que:

Sobre os áudios apresentados a autoridade policial, onde um informante é supostamente ameaçado, os mesmos não possuem validade jurídica, apenas demonstram a necessidade de quem os trouxe manter um protagonismo no caso Daniel”

É o que diz a nota

Cláudio Dalledone Júnior

Att

Pedro Rodrigues Neto
Assessoria de Imprensa Dalledone & Advogados Associados

Novo depoimento

Nesta segunda-feira, prestou depoimento o sétimo preso por envolvimento no caso, Eduardo Purkote. Investigado, ele também esteve no encontro no shopping e, agora, é apontado pelos demais envolvidos no caso como a pessoa que buscou uma faca para Brittes na cozinha da casa e que destruiu o celular de Daniel. Segundo seus advogados, Ricardo Dewes e Fabio Vieira, ele manteve sua versão sobre o crime, negando qualquer participação nas agressões ao jogador. “Ele não participou das agressões nem desses atos. Não arrombou porta, não viu o celular do Daniel, nem a faca usada pelo Brittes. Ele estava em outra parte da casa. As pessoas que alegam que ele participou das agressões, são as que estão diretamente envolvidas no crime. As testemunhas que não estão envolvidas no crime falaram completamente o contrário, que ele não participou das discussões”, disse Vieira.

Para os advogados, Purkote está sendo vítima de retaliação por também não ter mantido a versão combinada no shopping com a família Brittes. “Não conseguimos entender qual a atitude deles querendo incriminar o Eduardo. Parece uma reprimenda por ele não estar dando a mesma versão combinada pelos demais. Ele não manteve aquela versão que foi combinada no shopping. Ele falou tudo o que viu. Falou a verdade”.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal