Testemunhas afirmam que Cristiana Brittes pediu para filha: “não deixem matar ele aqui dentro de casa”

William Bittar - CBN Curitiba

A Justiça divulgou, na tarde desta quinta-feira (21), os vídeos das primeiras audiências realizadas com as testemunhas de acusação no processo que investiga a morte do jogador Daniel Correa Freitas, em outubro de 2018.

Foram ouvidas cinco testemunhas sigilosas que estavam na casa de Edison Brittes quando as agressões contra o jogador começaram. Duas delas afirmam que Cristiana não queria que o jogador fosse morto dentro da residência.

A CBN Curitiba separou alguns trechos dos depoimentos e não vai identificar quais pessoas relataram a situação, justamente por elas estarem sob sigilo da Justiça.

Uma das testemunhas relatou que ficou ao lado de Cristiana Brittes e quando viu que Daniel Corrêa Freitas já não conseguia se mexer e estava todo machucado, falou que chamaria o Samu, para prestar socorro ao jovem, quando foi impedida por Edison Brittes Júnior, que confessou ter executado o atleta. “A Cristiana olhou para Allana uma hora e disse: não deixa seu pai fazer isso dentro de casa, você sabe como ele é”, disse.


A mesma testemunha também relatou que viu Edison Brittes com a faca na mão e naquele momento percebeu que ele iria matar Daniel. “Eu falei: vou chamar o Samu. Aí o Edison veio até mim e falou que não, que não era chamar ninguém. Que enquanto ele estivesse ali ninguém poderia fazer nada. Quando ele saiu, eu fui dar uma olhadinha pela garagem e vi o Edison com uma faca na mão. Falei: meu vão matar o cara, ele tava com uma faca na mão”, relatou.

Outra testemunha confirmou essa versão de que Cristiana proferiu a frase Allana Brittes, filha do casal, mas ela dizia que ambas sabiam como era Edison Brittes. “A Cristiana falou para Allana: não deixa ele matar aqui dentro de casa. A Allana então falou: você sabe como é o pai. Eu fiquei sentada, chocada. Minha amiga tentou ligar para o Samu, mas o Edison disse que não era pra fazer nada”, afirmou.

A testemunha também afirma que ouvia frases de dentro do quarto, onde Daniel estava sendo agredido, incitando a morte do jogador. “Ficaram gritando. Dava pra escutar bastante grito: ‘você vai morrer, você vai morrer’, vindos de dentro do quarto. Mas a porta do quarto estava fechada. Então em nenhum momento eu entrei dentro do quarto e vi. Ouvia gritos, batidas, xingamentos, mas não dava pra ver porque a porta tava fechada”, destacou.

As duas testemunhas relataram que ficaram na sala da casa, quando Edison Brittes, David Vollero, Ygor King e Eduardo Henrique da Silva entraram no carro, com Daniel já colocado no porta-malas, e logo que eles saíram pediram um carro por aplicativo e deixaram a casa da família Brittes.

Quem também prestou depoimento à Justiça foi o investigador da polícia civil, Marcelo Augusto, ele frisou que uma das testemunhas afirmou que Edison Brittes chamou os outros para o carro, mas garantindo que a partir daquilo as coisas iriam mudar. “A frase que ele usou quando ele foi colocar o rapaz no carro, o Daniel dentro do carro, foi a hora em que ele disse que ia ver quem era homem mesmo, porque ali pra frente a coisa ia pegar mesmo. Essa frase teve”, lembrou.

Ao todo, treze pessoas foram ouvidas nesta primeira etapa das audiências de instrução do caso.

Sete pessoas foram acusadas de envolvimento na morte do jogador e seis estão presas desde a época do crime.

Nos dias 01, 02, 03 e 05 de abril, será a vez da juíza Luciani Martins de Paula, da 1ª Vara Criminal de São José dos Pinhais, ouvir as testemunhas de defesa dos réus.

Depois disso, os acusados devem ser interrogados e a juíza vai decidir se eles vão, ou não, a júri popular.

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