Resgatado em fevereiro, Tigre Rajar morre no Zoológico de Curitiba

Mirian Villa


O Tigre Rajar, que foi transferido para o Zoológico de Curitiba em fevereiro de 2021, morreu no dia 9 de maio, pouco mais de cem dias morando no local. O laudo oficial da causa da morte ainda não foi finalizado, mas um sangramento intracraniano foi detectado pela equipe da UFPR (Universidade Federal do Paraná).

Ele ficou conhecido após ser flagrado em uma casa noturna de Curitiba em 2018. Na época, ele foi usado como atração de uma festa intitulada “Jungle Party” e, segundo a Rede de Monitoramento e Proteção Animal, sofreu maus-tratos.

Poucos dias depois do flagrante, o dono do estabelecimento, junto com o tutor do tigre, prestou depoimento e afirmou que o gerente da balada levou o animal até o local para ambientar a festa. Já o depositário de Rajar, que é o pai desse funcionário, disse que não tinha conhecimento de que ele teria sido levado à casa noturna.

Após quase três anos de tramitação do processo, a 11ª Vara da Justiça Federal de Curitiba entregou o tigre ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), que posteriormente foi transferido para o Zoológico de Curitiba.

O QUE A PREFEITURA DIZ SOBRE A MORTE DO TIGRE RAJAR

“Foi uma curta passagem do tigre Rajar pelo Zoo de Curitiba. O animal, que sofria maus-tratos em uma casa noturna da capital, foi destinado pelo IBAMA à unidade de conservação em fevereiro de 2021. Em meados de maio, foi encontrado morto em seu recinto pelos tratadores.

Estava bem adaptado, comendo e explorando o espaço, utilizando inclusive as piscinas do recinto. O corpo foi levado à UFPR para avaliação e o Município ainda aguarda a conclusão dos laudos da necropsia, mas fatores externos já foram descartados como causa do óbito.

A existência de um sangramento intracraniano pode indicar que o animal tenha sofrido um Acidente Vascular Cerebral (AVC), mas ainda são aguardados resultados de exames histopatológicos.”

ENTENDA O CASO

De 2012 a 2021, o tigre Rajar, que é de espécie asiática, morou em uma chácara de Piraquara, na Região Metropolitana. Em 2014, durante uma fiscalização, o Ibama constatou que o dono do local não tinha licença ambiental para a guarda do animal.

Tigre Rajar no Zoológico de Curitiba (Hully Paiva/SMCS)
Tigre Rajar na breve passagem pelo Zoológico de Curitiba (Hully Paiva/SMCS)

Mas como o tigre estava adaptado ao seu habitat e, aparentemente, não sofria maus-tratos e recebia os cuidados necessários, o órgão deu a guarda de Rajar para o proprietário da chácara como depositário fiel durante o processo judicial.

Após a decisão da Justiça de retirar o animal da chácara, o homem ajuizou um pedido para rever a guarda provisória até a regulamentação para licenciamento. “Os pedidos liminares foram feitos para resguardar o interesse do animal, pois temíamos que numa tramitação regular do processo, o mesmo adoecesse em virtude do estresse da mudança repentina de habitat e rotina”, disse a   advogada Rafaela Aiex Parra, que representa o ex-cuidador, para o site Direito Ambiental.

As advogadas do caso afirmaram que souberam da morte do tigre Rajar no Zoológico de Curitiba pelos autos do processo, através de um ofício da Prefeitura dirigido ao Ibama, em 27 de maio deste ano.

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