Cidades do Paraná têm protestos de trabalhadores rurais

Redação


Cerca de três mil trabalhadores rurais do Paraná estão mobilizados em Curitiba, Maringá e Cascavel contra a Reforma Previdenciária. Na capital, o grupo está concentrado na frente da sede do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), na Praça Santos Andrade.

As manifestações no Paraná são organizadas pela Fetaep (Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Paraná) e fazem parte de uma mobilização nacional que protesta em defesa dos direitos previdenciários dos trabalhadores rurais, comandada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag).

Na pauta, o grupo busca a manutenção do Ministério da Previdência Social integrado ao Ministério do Trabalho e Emprego; do INSS integrado à estrutura da Previdência; e a manutenção do Ministério do Desenvolvimento Agrário. Além disso, eles se manifestam contra as propostas de reforma da previdência que incluem a alteração na idade mínima de aposentadoria para 65 anos e a desvinculação do salário mínimo federal. “Essa reforma pode vir a mexer com os trabalhadores rurais que ganham um salário mínimo. E eles [governo interino] estão nos elegendo inclusive como os vilões da Previdência Social, essas mulheres que trabalham 55 anos e homens 60 anos e que se aposentam com um salario mínimo”, explicou o presidente da Contag, Alberto Ercílio Broch.

“Não aceitamos retroceder, não aceitamos que a mulher trabalhadora rural perca o direito de se aposentar com 55 anos, até porque nós começamos a trabalhar muito jovens. Eu comecei com 7 anos, então esperar até 65 anos ninguém vai aguentar; nós queremos qualidade de expectativa de vida”, disse o presidente da Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Estado Minas Gerais, Vilson Luiz da Silva, contando que 64 ônibus trouxeram trabalhadores rurais do estado.

De acordo com o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Paraná, Ademir Mueller, é um erro acreditar que os rurais não contribuem. “No que diz respeito à aposentadoria rural, o artigo 195 da Constituição Federal diz que o produtor, o parceiro, o meeiro e o arrendatário rurais e o pescador artesanal, bem como os respectivos cônjuges, que exerçam suas atividades em regime de economia familiar, sem empregados permanentes, contribuirão para a Seguridade Social mediante a aplicação de uma alíquota – definida em 2,1% – sobre o resultado da comercialização da produção e farão jus aos benefícios nos termos da lei”, diz.

Trabalhadores rurais ocupam dois ministérios em Brasília

Trabalhadores rurais da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), federações estaduais e sindicatos rurais ocuparam pela manhã dois ministérios em Brasília. Eles reivindicam a volta do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), extinto pelo governo interino de Michel Temer.

Segundo a entidade, cerca de 10 mil pessoas participam da manifestação no prédio do Ministério do Trabalho e Previdência Social (MTPS) e do antigo MDA.

O presidente da Contag, Alberto Ercílio Broch, disse que esse é o início de uma grande mobilização nos 27 estados da Federação, que quer levar cerca de 100 mil pessoas a ocupar gerências e agências do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e do Instituto Nacional de Colonização de Reforma Agrária (Incra) por todo o país.

O Ministério do Desenvolvimento Agrário foi integrado à Casa Civil, na Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário. “É esse povo [agricultores familiares] que, segundo o IBGE, produz 70% da comida que vai pra mesa do povo brasileiro. Tememos que o fim do MDA signifique também o desmantelamento das políticas da agricultura familiar”, disse Broch.

(Fernando Garcel e Mariana Ohde)

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