Transferir os presos da facção seria “um erro histórico”, diz delegado da PF

Andreza Rossini

Marco Smith

O delegado-chefe da Polícia Federal em Cascavel, Marco Smith, afirmou em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (2), que os líderes da facção criminosa PCC querem se espalhar por todos os presídios do Paraná para controlar as quadrilhas de forma mais próxima.

“O que nos preocupa atualmente é a firme disposição da facção em espalhar os seus líderes por todos os presídios do estado. Atualmente eles estão concentrados em Curitiba e o principal objetivo da facção, até o aniversário, é espalhar os líderes pelos presídios no interior, para fortalecer as regiões que não estão, como eles chamam, ‘na sintonia'”, afirmou. “Temos certeza que o governo do estado não vai permitir essas transferências, seria um erro histórico. Já foi comprovado que a medida só fortalece a facção”.

A PF divulgou hoje áudios de  Luan Lino de Andrade, vulgo “Pirlo”, líder da facção criminosa PCC, de dentro da cadeia. Ele é um dos principais alvos da Operação Dictum, que tem como objetivo combater essa organização criminosa.

Segundo o delegado, o objetivo da fação é dominar o tráfico na região de fronteira. “Uma facção dessa natureza agindo da forma que está afronta o estado, tenta submeter o estado a sua vontade”, alertou.

“Mesmo presos eles planejam atentados, eles doutrinam os membros, fazem cobranças”, afirmou o delegado. De acordo com Smith, nos presídios federais que possuem bloqueadores para celulares, os presos usam as visitas e os advogados para mandar ordens para fora da cadeia. “Todos os membros dessa facção são profissionais do crime”, ressaltou.

O delegado afirmou que caso os presos se encaixem nos critérios para transferência a um presídio de segurança máxima, o pedido de transferência será feito pela PF.

Segundo Smith as investigações continuam. A corporação não divulgou o balanço de presos da operação, afirmando que serão atualizados a cada fase da força-tarefa.

Operação Dictum

A força-tarefa foi deflagrada no dia 3 de abril, na região oeste do Paraná. Um homem e uma mulher suspeitos de fazerem parte do grupo foram presos na última quinta-feira (26), em Cascavel.
 No dia em que a operação foi deflagrada foram cumpridos 19 mandados de prisão temporária e 30 de busca e apreensão em Cascavel, Foz do Iguaçu, Santa Helena, Londrina, São Mateus do Sul, Toledo, todas cidades paranaenses, e em Fraiburgo, em Santa Catarina.
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