Trapiche da Ilha do Mel cede mais uma vez; obras se arrastam há três anos

Alexandra Fernandes

Passada a temporada de verão, o trapiche de Nova Brasília, na Ilha do Mel, litoral do Paraná, continua com parte da estrutura cedida. Moradores da região registraram o descaso com a única estrutura que dá acesso ao local nesta sexta-feira (26).

Segundo o vice-presidente da Associação de Moradores da Ilha do Mel (Animpo) , João Marcos Gonçalves Haluch, foram feitas obras de reparos em dezembro do ano passado e em fevereiro de 2019, mas as soluções foram paliativas. Pouco tempo depois a estrutura cedeu novamente. “É um descaso com os moradores e turistas da região. Várias pessoas já se machucaram no local. A obra está parada, dinheiro público foi gasto aqui e nada foi solucionado. Está difícil para os moradores e pior ainda para quem vive de turismo.” argumenta o vice-presidente.

No dia 30 de dezembro, às vésperas do réveillon, o trapiche caiu quando cerca de 20 pessoas esperavam a chegada das barcas. Por sorte, os turistas conseguiram voltar em segurança para a areia sem que ninguém se machucasse. Mas horas depois, uma idosa se arriscou ao passar pela ponte e acabou caindo na areia.

Na época a Prefeitura de Paranaguá, município ao qual pertence a Ilha do Mel, alegou que o problema foi na sustentação da rampa. Obras emergenciais foram feitas, mesmo sem ser de responsabilidade do órgão, já que a reforma do trapiche é de competência do Instituto Ambiental do Paraná (IAP).


A Capitania dos Portos do Paraná (CPPR) chegou a interditar em fevereiro o local.

Reforma que nunca acaba

As obras gerenciadas pelo IAP começaram em outubro 2016, depois que uma ressaca, em agosto do mesmo ano, danificou a estrutura. A empresa vencedora da licitação, a Serrana Engenharia, deveria concluir a obra em 120 dias, a um valor inicial de R$ 325 mil.

Porém, 15 aditivos contratuais prorrogaram o prazo até janeiro de 2019 e fizeram o valor aumentar em 15%, chegando a R$ 374 mil.

A obra até foi executada, mas segundo a Animpo, mal feita. O trapiche é um pedido antigo da comunidade. ” Fica neste empurra-empurra das autoridades. Nós só queremos uma resposta e que ela venha em forma de obras. Quem sofre com tudo são os moradores que precisam conviver com os riscos.” diz o Haluch, vice-presidente da associação.

Sobre a reforma, em nota a Prefeitura de Paranaguá disse que até o presente momento, a manutenção de trapiches localizados na Ilha do Mel é de responsabilidade do Instituto Ambiental do Paraná (IAP).

Por meio de nota o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) declarou que “o trapiche de Brasília (Ilha do Mel) cedeu por conta da amplitude das marés, o assoreamento de parte da bacia de evolução, associada ao grande fluxo de turista do último verão.  Para o conserto será necessária a instalação de uma nova estrutura flutuante ao lado para o embarque e desembarque de passageiros em segurança. Os flutuantes estão sendo providenciados o mais breve possível.  Na semana que vem será feita uma manutenção provisória no trapiche até a chegada dos flutuantes.  O flutuante ficará instalado também até a APA construir o novo trapiche”.

A Capitania dos Portos do Paraná (CPPR) também informou que hoje (26) enviou um militar no local para fazer uma nova inspeção, e que no sábado a equipe de Inspeção Naval vai ao trapiche para constatar as irregularidades e solicitar os reparos.

Ainda nesta situação entra a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), que deve fazer obras nos trapiches de comunidades que margeiam os portos como contrapartida pelas licenças ambientais do Ibama. Sobre as obras emergenciais no trapiche de Nova Brasília, a Appa disse que não sabe informar se o assunto é de competência do órgão neste momento. Mas as obras do local estão no pacote de reformas.

Compromisso dos Portos 

Em março deste ano, a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), iniciou a fase de projetos para reformas e construção de 14 trapiches no litoral do estado. incluindo o de Nova Brasília.

As obras nas comunidades do entorno dos portos são parte de um compromisso assumido pela Appa para que o Ibama liberasse a Licença de Instalação da dragagem de aprofundamento executada em 2017.

Segundo a Administração dos Portos, os projetos estão dentro do prazo, que é de 270 a contar de 1° de março de 2019. Conversas com a comunidade já estão em andamento e a parte de estudos iniciais como levantamento de campo, topografia e sondagem forma feitas.

Após concluída esta etapa, vai ser aberta uma licitação para a execução das obras com valor de cerca de R$ 1,4 milhão.  De acordo com a Appa, ainda não há prazo para o início das construções.

 

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