Tratamento evita queda de cabelo durante a quimioterapia

Francielly Azevedo - CBN Curitiba

No último mês de fevereiro a professora Cristiane Vodonis Zanikoski, de 39 anos, descobriu um nódulo na mama. Após os exames, o diagnóstico: ela estava com câncer e precisaria passar pelas sessões de quimioterapia.

“Todo mundo que está passando por uma situação como a minha faz duas perguntas: a primeira é se você será curado e a segunda é se você vai perder cabelo. E a resposta de todos os médicos é que eu iria perder meus cabelos”, disse.

A esperança de não perder os cabelos surgiu quando Cristiane descobriu um tratamento complementar que impede a queda dos fios durante a quimioterapia. “Eu não queria que todo mundo me perguntasse o que estava acontecendo. Era uma coisa que mexe muito comigo, porque além de lidar com a doença, eu teria que lidar com as pessoas. Eu não queria esse sentimento de dó e piedade”, contou.

O Centro de Oncologia do Paraná é o pioneiro no uso do equipamento no estado. O chamado Scalp Cooler resfria o couro cabeludo e reduz em até 80% a queda de cabelo durante o processo quimioterápico, conforme explica a médica oncologista Emanuella Poyer.

“A gente consegue reduzir em até 60% a 80% da queda durante a quimioterapia. Justamente porque o resfriamento não deixa que a quimioterapia chegue até o o cabelo e com isso a gente consegue manter os fios da paciente”, explicou.

O dispositivo é uma touca conectada a um aparelho, que congela o folículo capilar para que a medicação não atue na região, desta forma preservando os fios. De acordo com a médica, essa técnica é mais eficaz em pacientes diagnosticadas com câncer de mama e ovário e só tem resultado se utilizado em todo o processo, desde a primeira sessão de quimioterapia.

“A gente começa fazendo o uso da toca cerca de 30 a 40 minutos antes do início da aplicação antes da quimioterapia. O paciente usa durante toda a quimioterapia e por mais 1h30 após o fim da quimio”, descreveu.

Por enquanto, o procedimento não está disponível gratuitamente nos serviços de saúde. Mas a Cristiane, que já está na sexta sessão de quimioterapia, das oito indicadas pelo médico, tem a expectativa de que em um futuro breve todos que lutam contra o câncer possam utilizar o tratamento. Para ela, o equipamento foi fundamental para garantir a auto-estima no momento difícil.

“Depois que eu comecei a fazer o tratamento eu tive umas quedas e me desesperei. Mas hoje meu cabelo está bom, saudável e sem falhas. Dá pra ver que está sendo eficaz o tratamento”, afirmou.

CÂNCER NO PARANÁ

Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) de 2018 apontam a incidência de mais de 24 mil novos casos de câncer no Paraná. Nas mulheres, o câncer de mama é o que tem a maior ocorrência, com quase 4 mil registros. Já nos homens, o câncer de próstata é o que mais atinge, com cerca de 5.400 casos.

 

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