Coronavírus: Universidade cria trajes para os profissionais que atuam na linha de frente

Vinicius Cordeiro


Pesquisadores da UTFPR desenvolveram trajes especiais para o combate ao novo coronavírus. (Geraldo Bubniak/AGB)

Pesquisadores da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) criaram dois trajes especiais para quem atua na linha de frente no combate ao novo coronavírus. Com baixo custo, as roupas são feitas para que os profissionais da Saúde e Segurança sejam capazes de retirar corpos de casas ou hospitais sem riscos de serem infectados pela Covid-19.

O projeto foi desenvolvido há três semanas no laboratório de engenharia elétrica, em Curitiba, caso seja necessário acionar soldados para transportar cadáveres das vítimas de Covid-19 após os serviços funerários ficarem sobrecarregados.

“Os trajes são pensados em situações que eu não gostaria de ver. São aquelas imagens que vimos na Itália, na Espanha… Milhares de pessoas sendo transportadas através de caminhões militares. Criamos para não usar. Mas, se tiver que usar, vai proteger as pessoas na linha de frente”, explica Rubens Alexandre de Faria, coordenador do projeto.

O primeiro traje (foto abaixo) foi pensado para as forças de segurança pública, como policiais militares e bombeiros.

No Paraná, o comando da Polícia Militar e alguns integrantes da Polícia Civil já demonstraram interesse no traje, que consiste três peças principais: macacão, botas e capuz.

“Começamos com calça e uma blusa, mas não teve adesão porque tem uma área de contaminação aberta. A pessoa levanta, tira a arma, se espreguiça”, explica Faria sobre a montagem das roupas. Com adequações, chegou-se ao resultado esperado: “Você veste o macacão, depois a bota por cima do coturno, o capuz e, dentro do bolso, tira as luvas”, completa.

Trajes de combate ao coronavírus para a PM e Corpo de Bombeiros. (Geraldo Bubniak/AGB)

Todo o material é feito com TNT (material semelhante a tecido, de aspecto emborrachado). Por isso, o custo da roupa, que deve ser descartada após o uso, varia de R$ 10 a R$ 13.

“O custo que fizemos, manualmente, saiu nesse preço porque pagamos uma costureira. Em escala, deve ficar bem mais barato. Se a população carcerária fizer, por exemplo, você pode economizar mão de obra e remunerar esse profissional com dias a menos de pena”.

CAPA PROTETORA PARA PROFISSIONAIS DA SAÚDE CONTRA A COVID-19

Pesquisadores UTFPR desenvolveram uma capa esterilizadora para profissionais da Saúde. (Geraldo Bubniak/AGB)

Já o segundo traje feito pelos pesquisadores da UTFPR é chamado de capa esterilizadora. A ideia consiste no uso de ozônio para desinfectar o coronavírus nas roupas dos profissionais da Saúde.

“Antes de entrar em um ambulatório, o que for, o médico não tem certeza se está levando o vírus de casa. Então eu entraria na capa para não contaminar mais o ambiente. Depois do plantão, entra de novo na capa para ter certeza que não ficou nenhum vírus antes e ir encontrar a família”, explica.

A capa tem um tecido siliconado e poderia funcionar centenas de vezes. O custo do traje é R$ 60, mas não conta com o gerador de ozônio necessário para insuflar a capa e fazer a desinfecção.

Contudo, a principal dificuldade é o gerador de ozônio. A escassez durante a pandemia fez com que o equipamento custe até R$ 50 mil.

“Com as peças que nós precisaríamos você não pagaria mais de R$ 350 a R$ 500. Eles fizeram um gerador custar R$ 50 mil, que foi oferecido no Ministério da Defesa. Um gerador simples, nesse custo de R$ 500, foi para R$ 3 mil porque acabou no mercado”, afirma.

Considerando que o preço inviabilizaria o projeto, uma outra equipe coordenada por ele está desenvolvendo as peças necessárias para montar um gerador.

“Estamos em fase de finalização de um gerador de ozônio, onde queremos deixar o código aberto para que as pessoas possam usar, com um situação bem mais em conta”, finaliza.

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