Uruguai seria destino de maconha cultivada em centro de reabilitação no PR

Narley Resende


Plantas de maconha encontradas em um centro de reabilitação para usuários de drogas e álcool no domingo (7), em Londrina, no Norte do Paraná, podem ter tido como destino o Uruguai, onde o consumo da planta é liberado para uso recreativo. A Polícia Civil investiga a origem de notas de peso uruguaio encontradas no estabelecimento. Extratos bancários com movimentação financeira de alto valor também foram encontrados. Segundo a polícia, a maconha produzida no local tinha até logomarca, uma abelha, para destacar a qualidade do produto.

A plantação em estufas foi descoberta quando agentes do Corpo de Bombeiros entraram na chácara atrás de um incêndio que atingiu uma casa e foi informado por meio de chamado no número 193. Quando chegaram na casa viram duas estufas externas e três cômodos da casa que serviam de área de plantação, com ar condicionado, controle de temperatura, ventiladores e iluminação especial.

Os bombeiros chamaram a Polícia Militar (PM) que apreendeu o material, as mudas de 550 plantas de maconha, dinheiro uruguaio e extratos bancários com movimentação financeira de alto valor. O valor em dinheiro apreendido não foi informado.

Segundo o tenente Emerson Castro, com a chegada dos bombeiros, as pessoas que estavam na chácara não abriram o portão e os agentes tiveram que estourar um cadeado para entrar.

“Quando os bombeiros chegaram no local se dependências ninguém veio atender eles. Como havia esse risco de várias pessoas em vulnerabilidade serem atingidas, ficarem feridas, o Corpo de Bombeiros então arrombou o portão entrou e fez o combate ao incêndio. Um dos prédios estava tomado pelo fogo. Após combater o incêndio eles perceberam que havia várias estufas com a planta bem peculiar”, afirma.

Corre-corre 

As pessoas que estavam no local fugiram antes da chegada da PM. “Durante o combate ao incêndio eles viram que havia muitas pessoas correndo pra lá e pra cá no interior dessa chácara e não era para fugir do fogo. Era para fugir do flagrante que ali estava O Corpo de Bombeiros ainda não havia percebido. Nem imaginada, né, que ia se deparar com uma situação como essa”, conta.

Reprodução / Google Street View
Reprodução / Google Street View

Centro de reabilitação de fachada

A PM constatou que os responsáveis pelo local respondem a um inquérito por tráfico de drogas em Belém do Pará. A placa do centro de reabilitação, denominado Reab, já não estava na fachada da chácara, mas a polícia encontrou diversos documentos com informações do funcionamento do estabelecimento.

“Mas a vizinhança acreditava ser um centro de reabilitação mesmo”, destaca o tenente Castro.

“Havia outros prédios onde tinha somente colchões no chão. Essas pessoas [supostos pacientes] estavam vivendo em condições sub-humanas, porque não havia móvel nenhum dentro da casa, só os colchões mesmo e restos de marmita. Os moradores da casa, que a princípio seria um casal, não foram encontrados, mas documentação deles e os dados pessoais foram levantados. Eles também já responderam pelo mesmo crime, pelo menos a mulher [também por plantar maconha] lá em Belém do Pará, denominada Operação Grow Plant, ela já estava respondendo pelo mesmo crime de cultivar maconha”, conta o tenente.

Logomarca

Com a apreensão do dinheiro uruguaio e a confecção de uma marca, com logo e brindes, de acordo com a polícia, existe a suspeita de que a maconha fosse vendida no Uruguai, onde a maconha é legalizada para consumo recreativo. A maconha era identificada com uma abelha como logomarca.

“Inclusive, eles tem a característica de ostentar a qualidade dessa droga. Eles criaram um logo para identificar a marca. Havia até produtos com a marca, como bonés, adesivos, para identificar como selo esta droga”, relata o tenente.

 

A 10ª Subdivisão Policial abriu inquérito nesta segunda-feira e deve investigar o caso. Até agora ninguém foi preso. O delegado Osmir Ferreira Neves Júnior afirmou que não pode repassar mais informações por enquanto para não atrapalhar as investigações. As pessoas identificadas serão intimadas a prestar depoimento.

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