Vacina contra a covid-19 é aplicada em hospital de Curitiba pela primeira vez

Redação

10 primeiros voluntários receberam a primeira dose e serão acompanhados por pelo menos um ano.
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A vacina para covid-19, produzida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac, foi aplicada pela primeira vez em 10 pessoas no Hospital de Clínicas de Curitiba nesta sexta-feira (7). O Complexo, da UFPR (Universidade Federal do Paraná) é um dos 12 parceiros do Butantan, que também tem convênios no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Distrito Federal. A produção e os testes avançados foram desenvolvidos em parceria, firmada em junho, com a farmacêutica chinesa Sinovac.

“A vacina chegou ontem. Terminamos a parte burocrática e hoje foi o primeiro dia de vacinação”, diz a infectologista Sonia Raboni, responsável pela condução da pesquisa em Curitiba.

O estudo é um dos mais promissores e está na terceira fase após ter sido bem sucedido na testagem com humanos (voluntários chineses) e macacos. O diretor do Butantan, Dimas Covas, afirmou ontem (6) que a produção ser iniciada em outubro. O processo, no entanto, depende dos resultados clínicos serem positivos, como estão, e o tempo de registro na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Com isso, a vacina poderá ser distribuída pelo governo federal para o SUS (Sistema Único de Saúde).

Apesar de ser um dos parceiros na realização dos testes, o HC ainda não sabe se poderá produzir a vacina. Isso dependerá do próprio Instituto Butantan, conforme a infectologista. “Se houver interesse ou necessidade de aumentar a capacidade de produção da vacina, cabe aos órgãos”, explica.

Além disso, ela adiantou que alguns grupos prioritários, que são do grupo de risco do coronavírus, devem receber a vacina antes. Ou seja, idosos e portadores de doenças crônicas, além dos profissionais de Saúde, deverão ser os primeiros na fila.

“A criança a gente não sabe como se comporta ainda, mas talvez seja importante porque transmite muito. Estudos epidemiológicos estão sendo feitos, inclusive no Butantan, para que no momento que eu tenha uma vacina disponível, determinar quais grupos vão se beneficiar com a vacina”, completa.

VOLUNTÁRIOS DA VACINA DA COVID-19 EM CURITIBA SERÃO ACOMPANHADOS POR PELO MENOS UM ANO

Infectologista Sonia Raboni, responsável pela condução da pesquisa em Curitiba. (Divulgação/UFPR)

A infectologista Sonia Raboni explicou que toda a documentação dos dez primeiros participantes foi encaminhada ao Instituto Butantan ainda hoje e deve receber aprovação até a próxima quarta-feira (12). A partir disso, novos participantes poderão receber a primeira dose da vacina. A faixa etária dos participantes, por enquanto, é de 18 a 59 anos.

Toda a avaliação dos dados é feito pelo Butantan, ou seja, o HC encaminha os dados. Com isso, caso os resultados sejam positivos, o Instituto de São Paulo pode autorizar a liberação da vacina para outras pessoas.

“A expectativa que todos estão trabalhando em fase 3 com a vacina é que até dezembro a gente já tenha resultados suficientes”, completa ela.

Mais de 900 pessoas já entraram em contato com o Hospital de Clínicas para serem voluntários na pesquisa. Todos são profissionais da Saúde, com preferência para quem está na linha de frente.

“A maioria são médicos, quase 600, e temos também técnicos de enfermagem, enfermeiros, fisioterapeutas… Todos são de Curitiba e Região Metropolitana, mas é importante falar que qualquer pessoa do Paraná pode participar”, diz Sonia.

A infectologista, no entanto, alerta que a pessoa precisa comparecer a oito sessões estabelecidas, com intervalos de cerca de um mês, para o monitoramento. “Tem que ter disponibilidade para vir ao HC fazer avaliações em períodos determinados após o tempo da vacina”, completa.

As primeiras sessões terão. A expectativa é que todos sejam acompanhados por um ano, mas a duração pode aumentar dependendo dos resultados ou até mesmo se o número de casos na população diminuir significativamente.

VACINA PODE GERAR REAÇÕES NEGATIVAS

Como qualquer estudo desse tipo, a vacina da covid-19 pode desenvolver reações negativas nos voluntários. Nesse caso, a infectologista afirma que eles podem ter alguma reação alérgica, dor muscular, dor no local da vacinação, manchas e até uma anafilaxia.

Para evitar qualquer problema, os participantes ficam no HC por uma hora após a aplicação da vacina e mantém contato com as pessoas da equipe.

“O participante recebe o número de telefone da equipe, no qual ele pode relatar qualquer sintoma para a equipe. Se houver necessidade, fazemos uma nova avaliação não agendada”, finaliza.

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