Vacinação pode reduzir em até 74% o número de casos de dengue no Paraná

Mariana Ohde


O Paraná deu início, neste sábado (13), à campanha de vacinação contra a dengue, inédita no país. Nesta primeira etapa, a expectativa é imunizar cerca de 500 mil pessoas com a primeira dose da vacina em 30 municípios prioritários, que registraram as piores epidemias da doença nos últimos cinco anos.

Segundo estudos da empresa Sanofi Pasteur, produtora da vacina, a vacinação em massa pode reduzir em até 74% o número de casos de dengue nas cidades contempladas em até cinco anos. Estima-se, ainda, que a medida diminua em 80% o número de hospitalizações e em 93% o número de casos graves da doença.

De acordo com o diretor geral da Sanofi Pasteur no Brasil, Hubert Guarino, a vacina é segura e protege contra os quatro tipos de vírus circulantes da dengue no país.

“Foram mais de 20 anos de estudos para se chegar a esta vacina, que tem eficácia global de 66%. Hoje podemos finalmente dizer que a dengue entra no rol de doenças preveníveis”, afirmou ele, que também destacou o pioneirismo do Paraná em garantir o acesso da população a inovações tecnológicas na área da saúde.

Com a campanha, o Paraná se torna o segundo local do mundo aplicar a vacina contra a dengue na rede pública de saúde. O primeiro foi as Filipinas, em fevereiro deste ano, com a imunização de crianças. Para a aquisição desta primeira dose, o estado investiu cerca de R$ 50 milhões.

Até o meio-dia deste sábado, Dia D da campanha, cerca de 5 mil paranaenses já haviam sido imunizados contra a dengue. A meta é atingir, ao final da mobilização, pelo menos 80% do público-alvo, estimado em 500 mil pessoas.

A boa cobertura vacinal é essencial para a efetividade da estratégia de imunização, já que quanto mais pessoas vacinadas, menor será a circulação viral da doença.

Um dos primeiros maringaenses a serem imunizados contra a dengue neste sábado foi o atleta Arthur Diego Mariano Lanci, campeão mundial sub-19 de vôlei de praia. Com 20 anos, Arthur faz parte do grupo prioritário da campanha e inclusive já tinha contraído dengue em Maringá. “Nós atletas temos que dar o exemplo e por isso vim aqui para tomar a vacina e convocar as pessoas que têm direito. Todos que já pegaram dengue sabem o quanto ela é perigosa. Eu mesmo fiquei de cama e espero nunca mais passar por uma situação como aquela”, revelou.

Casos no Paraná

Somente entre agosto de 2015 e julho de 2016, aproximadamente 56 mil casos e 61 mortes foram registradas por dengue no Paraná. Os 30 municípios da campanha, juntos, concentraram 80% das ocorrências, além de 93% dos casos graves e 82% das mortes.

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) alerta que a vacina é uma nova ferramenta para o combate à dengue, mas a população não deve deixar de fazer a sua parte e eliminar os criadouros do mosquito. O Aedes aegypti também transmite doenças graves que não são protegidas pela vacina, como a zika e a febre chikungunya.

Campanha

Iniciada simultaneamente em 30 municípios neste sábado, a campanha segue até 3 de setembro em 164 unidades de saúde. Em Assaí e Paranaguá, as doses estão disponíveis aos moradores com idade entre 9 e 44 anos, 11 meses e 29 dias. Já nas demais 28 cidades, a vacina será aplicada em pessoas na faixa etária entre 15 e 27 anos, 11 meses e 29 dias.

No momento da vacinação é preciso apresentar documento pessoal de identificação com foto e comprovante de residência. Quem já fez o pré-cadastro pela internet também necessita levar os documentos para comprovar as informações registradas no sistema.

(Com informações da AEN)

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Repórter no Paraná Portal
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