Vereador do Patriota desviou da Saúde para campanha de 2018, diz procurador

Narley Resende


O vereador Dr. Brito, do Patriota, de Foz do Iguaçu, Oeste do Paraná, um servidor público da Secretaria Municipal de Saúde e outras quatro pessoas foram presas nesta terça-feira (16) na oitava fase da Operação Pecúlio. Chamada de Operação Renitência, que significa teimosia, a ação foi deflagrada pela Polícia Federal (PF) na manhã desta terça. O servidor preso atuava da Fundação Municipal da Saúde.

Os detidos são suspeitos de desviar dinheiro público por meio de fraude em licitação. As investigações feitas em conjunto com Ministério Público Federal (MPF) de Foz do Iguaçu indicam uma organização criminosa comandada pelo vereador da cidade.

Segundo o procurador Alexandre Porciúncula, Dr. Brito é o mentor e principal beneficiário do esquema criminoso. “Ele é pré-candidato a deputado estadual e visava angariar dinheiro para campanha”, declarou o procurador.

De acordo com a Polícia Federal, há indícios de fraudes em pregões que levaram à assinatura de dois contratos entre uma clínica e a Fundação Municipal de Saúde de Foz do Iguaçu para a prestação de serviços para o Hospital Municipal Padre Germano Lauck.

Vereador Dr. Brito. Reprodução / CMFI
Vereador Dr. Brito. Reprodução / CMFI

O delegado Sérgio Ueda afirmou que com alguém (o servidor de confiança do vereador) dentro da Fundação Municipal de Saúde seria possível direcionar processos de atos que deveriam ser publicitados por meio de editais. Segundo ele, “informações poderiam ser fornecidas antecipadamente, como de concorrentes, para um direcionamento dessas licitações”.

Um dos contratos investigados era de R$ 20 mil por mês e o outro de cerca de R$ 75 mil. Um empresário denunciou o esquema e disse que havia sido procurado para que pagasse 10% dos valores ao grupo e que a clínica de radiologia de Brito também fosse beneficiada com novos equipamentos.

Toda a ação foi monitorada por meio de gravação das conversas mantidas entre o colaborador e o grupo. Entregas de dinheiro também foram registradas.

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Também foram encontrados indícios de laudos de exames de diagnóstico no Hospital Municipal Padre Germano Lauck, que teriam sido elaborados por uma pessoa não habilitada, gerando risco à saúde de pacientes.  Os laudos de exames laboratoriais deveriam ser feitos por Dr. Brito.

No ano passado, Brito havia assumido como suplente do vereador cassado Rudinei de Moura, que foi preso durante a 5ª fase da Operação Pecúlio. Agora investigado, Brito encabeçou um pedido de abertura de investigação contra cinco parlamentares.

Defesa

O advogado Oswaldo Loureiro, que defende o vereador Dr. Brito, deve se pronunciar após ter acesso às investigações.

“Estamos andando às escuras. Esta tarde é que foi suspenso o sigilo processual. Nós não tivemos acesso. Amanhã teremos. Por enquanto podemos dizer que é uma situação bastante desconfortável e que foi decretada a prisão preventiva dele (do vereador)”, disse o advogado.

Teimosia

A palavra renitência significa persistência, teimosia, obstinação. Segundo a Polícia Federal, o nome foi escolhido justamente por causa da insistência de agentes públicos continuarem cometendo atos ilícitos, mesmo depois do início das investigações da Operação Pecúlio. Os seis mandados de prisão e os 12 de busca e apreensão foram expedidos pela 3ª Vara Federal de Foz do Iguaçu.

Operação Pecúlio

A Operação Pecúlio, deflagrada em abril de 2016, investiga um esquema de corrupção e fraude em licitações nas áreas de obras e de saúde em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná. A investigação da Polícia Federal (PF) estima que os prejuízos com os desvios de recursos públicos passem de R$ 30 milhões. Além de empresários, secretários, diretores e demais servidores do Executivo local, o esquema também funcionava na Câmara Municipal do município. O grupo criminoso seria comendado pelo ex-prefeito Reni Pereira (PSB).

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