Em menos de 4 horas, vereadores de Paranaguá analisam e aprovam aumento de mais de 50% no salário do prefeito, vice e secretários

David Musso - BandNews FM Curitiba

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Em menos de quatro horas, os vereadores de Paranaguá, no Litoral do Paraná, analisaram, discutiram e aprovaram uma proposta que reajusta os salários do prefeito, do vice-prefeito e de mais 17 secretários da cidade. O projeto de lei foi aprovado em turno único e em regime de urgência na noite desta terça-feira (26).

O texto base da lei chegou na Câmara as 4h da tarde e foi aprovado às 8h da noite pelos parlamentares. Com a aprovação, a partir de janeiro o salário do prefeito da cidade, Marcelo Roque (PODE), sai de R$ 16 mil para R$ 25 mil; o soldo do vice, Borba da Transcap (PSD), sai de 8 para 15 mil reais. Os secretários que antes ganhavam R$ 10 mil, vão passar a receber R$ 15 mil reais. As informações são da Bandnews FM.

O vereador Irineu Cruz (Republicanos), votou contra a proposta. Ele diz que não teve tempo de discutir o projeto na casa e que este não teria sido o momento adequado para a medida.

“Segundo a proposta que nos veio (o aumento) era para correção inflacionária dos salários que estavam defasados, segundo eles, desde 2013. Isso vai gerar um impacto de R$ 9 mil/mês no salário do prefeito e R$ 127 mil/mês nos vencimentos do secretariado. E com toda a certeza, em um momento de recuperação da pandemia, tentando nos erguer novamente, apesar de justificável o aumento pela inflação o momento não é propício de forma alguma”, avaliou.

Para o parlamentar, a classe política deveria dar exemplo à sociedade. O vereador comenta que os trabalhadores do setor público foram os menos afetados pela pandemia da Covid-19, quando comparado com a população em geral, que sofre com as consequências do desemprego e da inflação.

“Acho que o impacto é o mais negativo possível. Entendo que como servos do povo deveríamos estar em um tempo de maior sacrifício para que as coisas que restabelecerem, haja vista que os nossos salários não sofreram defasagem durante a pandemia”, completa.

Já o vereador Thiago Kutz (PP), votou favorável às propostas de reajuste. Ele diz que outros fatores precisam ser considerados, além do benefício reajustado. Um desses fatores, segundo ele, é a dificuldade da prefeitura em contratar profissionais especializados, que têm o salário limitado ao valor pago ao prefeito.

“Temos um limite de pagamento de servidores efetivos, principalmente médicos, que são os maiores salários. E o limitador desses salários está justamente no salário do prefeito, isso aqui em Paranaguá ou em qualquer outro município do país”, explica.

O parlamentar comenta que Paranaguá tem tido dificuldade em contratar médicos, que encontram no mercado privado um salário melhor do que o oferecido pela prefeitura. Agora, ele diz que o Executivo poderá contratar esses profissionais oferecendo o mesmo salário do prefeito, ou seja, pouco mais de R$ 25 mil reais.

“E a gente hoje tem um problema com profissionais médicos que encontram remuneração muito maior em outros municípios do que em Paranaguá, por conta desse limitador. O ajuste que foi realizado foi base em um estudo que foi apresentado mostrando a evolução dos impactos que iriam causar, e nesse caso de reajustes a evolução do tempo que não houve reajustes até o momento atual”, completa.

Conforme o projeto aprovado na Câmara, o prefeito, o vice-prefeito e os secretários não têm reajuste salarial desde 2009. O texto menciona ter aplicado o índice IPCA do IBGE para os reajustes. O porcentual de aumento, porém, é diferente entre os três cargos. O salário do vice-prefeito, por exemplo, cresce 84%, enquanto o do prefeito sobe 61%. Já o salário dos secretários cresce 49%. A inflação para o período, porém, segundo o mesmo indicador, foi a mesma: de 105%.

O que diz a prefeitura

Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Paranaguá se limitou a dizer, em menos de uma linha de texto, que as informações relativas ao reajuste estão disponíveis no site da Câmara Municipal.

Já o Legislativo diz que as votações em regime de urgência estão previstas no regimento interno da casa; e que a tramitação teve a anuência da maioria dos vereadores, conforme prevê o procedimento. O aumento terá um impacto superior a R$ 1,5 milhão aos cofres públicos, no orçamento anual do município. Na votação realizada na noite de terça-feira (26), 14 vereadores votaram a favor do projeto e três votaram contra.

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