“Salsicha não, é vina!”: entenda a origem de expressões da cultura paranaense

Amanda Koiv

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Os traços da imigração alemã estão fortemente vinculados à cultura brasileira e do povo paranaense. Em Curitiba, é possível perceber o legado deixado pelos germânicos ao andar pelas ruas do Centro, principalmente se observarmos a arquitetura da região: Palacete Wolf e Castelo Hauer são exemplos. Algumas expressões muito utilizadas no nosso vocabulário, como a famosa “vina“, também fazem parte do legado deixado pelos imigrantes.

Ciente disto, o Instituto Goethe, em parceria com a Expressa Comunicação, realizou na semana que passou um bate papo online e um minicurso chamado  “Cuca, valsa, vina e outros germanismos no português brasileiro”. O objetivo foi incentivar o estudo da língua alemã e ampliar o conhecimento sobre a proximidade da cultura germânica com a cidade de Curitiba.

Katharina Pleher, alemã residente em Curitiba e estagiária do instituto Goethe, conta que a partir dos últimos anos do século 19, a imigração alemã em Curitiba se concentrou em bairros como São Francisco, Pilarzinho e Vista Alegre. “No Vista Alegre, por exemplo, existe o Bosque Alemão, que é um memorial dos imigrantes aqui em Curitiba. A Rua Treze de Maio já foi chamada de ‘Rua dos Alemães’. Já na praça 19 de maio existiu um colégio que recebia os filhos dos imigrantes. E foi assim que muitas palavras permaneceram no vocabulário local”, diz.

GERMANISMOS PRESENTES NO VOCABULÁRIO BRASILEIRO

A palavra “vina” (wiener em alemão), sempre enfatizada por muitos curitibanos que insistem em dizer “salsicha não, é vina!”, faz parte da lista de expressões que estão diretamente ligadas ao modo como os paranaenses são conhecidos em outras regiões do país.

Essas expressões são, inclusive, utilizadas em campanhas publicitárias. Em 2018, por exemplo, a Redhook School, escola de criatividade com sede em Curitiba, lançou um comercial para o banco HSBC (atual Bradesco), cujo enredo apresentava um rapaz curitibano pedindo um cachorro-quente com duas vinas a um vendedor carioca. Assista:

Existem outras palavras recorrentes no vocabulário brasileiro que também vieram da cultura alemã. Veja:

Encrenca – alemão, iídiche: krank, kranker  – começou com as prostitutas judias que vieram para o Brasil no final do século 19 e começo do século 20. Elas falavam iídiche (língua dos judeus da Europa Central). Quando achavam que um cliente tinha doença venérea, falavam ein krenke (krank significa “doente” em alemão). Nascia assim a palavra “encrenca” para designar uma situação difícil.

Até o famoso (em Curitiba e região) “chineque” é uma variação da linguagem germânica. Na culinária dos imigrantes, o pão doce costumava ser enrolado em formato de caracol, que em alemão significa “schneke“. Entre as bebidas, o chope que agrada à boemia vem do termo alemão “schopen“.

Quem quiser saber mais sobre a arquitetura curitibana relacionada à imigração alemã e também ampliar o conhecimento sobre os germanismos presentes na língua brasileira pode participar de uma repetição do bate papo e minicurso online “Cuca, valsa, vina e outros germanismos no português brasileiro”, que vai acontecer no dia 9 de novembro. Para ficar por dentro, basta acompanhar as redes sociais do Instituto Goethe.

***Amanda Koiv é estagiária de Jornalismo e escreve sob a supervisão da Jornalista Martha Feldens

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