Violento e controlador, diz ex-namorada sobre médico acusado de matar Renata Muggiati

Em depoimento à Justiça, uma ex-namorada do médico Raphael Suss Marques relatou que ele era violento, controlador e fazi..

Fernando Garcel - 15 de março de 2018, 16:28

Foto: Reprodução / Facebook
Foto: Reprodução / Facebook

Em depoimento à Justiça, uma ex-namorada do médico Raphael Suss Marques relatou que ele era violento, controlador e fazia ameaças diárias. Ela foi ouvida como testemunha de acusação no processo que investiga a morte da fisiculturista Renata Muggiati na tarde de quarta-feira (14).

A mulher teve um relacionamento de seis meses com o médico e relatou que, por diversas vezes, foi medicada e agredida. Em uma das discussões, em frente a um bar, ela conta que foi empurrada e enforcada. A testemunha pediu para não ser identificada na conversa com a imprensa.

A testemunha contou que, naquela época – em 2008 -, não denunciou o caso à polícia por vergonha e por medo do que o médico poderia fazer com ela.

A ex-namorada disse ainda que depois do término do relacionamento precisou de dois anos para se recuperar. Ela teve depressão e teve de deixar o emprego.

Tatiane Nóbrega era amiga da vítima há onze anos e também prestou depoimento como testemunha de acusação no processo. Segundo ela, logo depois que Renata começou a namorar o médico, foi possível notar uma grande mudança de comportamento na fisiculturista. Tatiana contou ainda que encontrou a amiga na academia e notou que ela estava com o rosto bastante machucado.

"Eu estava treinando e fazia algum tempo que não a via. Olhei para o lado e ela estava deformada... estava com um boné bem embaixo na cabeça, um óculos bem grande e dava para ver que o rosto estava roxo", conta a testemunha.

Outras duas pessoas foram ouvidas nesta quarta-feira: um ex-namorado e uma ex-aluna da fisiculturista. Novas audiências com testemunhas de acusação e de defesa estão marcadas para os dias 5 e 12 de abril. Nestas duas datas, devem ser ouvidas 15 pessoas, incluindo o médico – réu no processo. O promotor do caso, Marcelo Balzer Correia, disse que as testemunhas ouvidas só reafirmaram que o médico é culpado pela morte da fisiculturista.

"Todos os testemunhos foram muito importantes. Foram reveladores sobre quem é Raphael Suss Marques.Principalmente essa última que conviveu com ele por um ano e que confirmou o uso de medicamentos, de violência e inclusive de agressões. Está se tornando cada vez mais claro que ele não merece o convívio social", aponta o promotor.

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Julgamento

A previsão do Ministério Público é de que a sentença seja anunciada até a metade do ano. Após a audiência, Raphael Suss Marques saiu acompanhado do advogado Edson Abdala e nenhum dos dois falou com a imprensa. Eles saíram pelos fundos do Tribunal de Justiça.

A Divisão de Homicídios e o Ministério Público do Paraná afirmam que o médico asfixiou e atirou o corpo de Renata pela janela do 31º andar do apartamento. Ele responde por lesão corporal, fraude processual e homicídio qualificado. No Boletim de Ocorrência, à época da morte, o médico afirmou que Renata se atirou e que tinha um quadro de depressão.

Desde então, a defesa do réu vem sustentando que a fisiculturista se matou. Em paralelo a investigação do caso, há um inquérito em andamento para apurar a veracidade do laudo pericial que apontou o suposto suicídio de Renata; o primeiro exame confirmou que ela foi assassinada.

Morte de Renata Muggiati

Renata morreu na noite de 12 de setembro de 2015. A suspeita é de que ela tenha sido asfixiada e atirada da janela do 31º andar pelo namorado. Fotos e mensagens enviadas por celular, que constam no processo, reforçam a tese de que ela era vítima constante de agressões.

Raphael Suss Marques foi preso em setembro e, depois, novamente em janeiro. Acabou solto após seis dias, por meio de um habeas corpus. Ele nega o crime e alega que Renata se suicidou.

Foram realizados, ao todo, três exames no corpo de Renata – dois deles apontaram que ela teria sido asfixiada antes de cair pela janela. O último exame, feito após a exumação do corpo, concluiu que a atleta foi morta antes da queda.  O processo corre em segredo de Justiça.

Raphael Suss Marques chegou a ser preso duas vezes durante as investigações e estava solto desde janeiro.