Volta às aulas: Sindicato confirma greve, mas SEED diz que posição não reflete maioria da classe

Vinicius Cordeiro

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A APP-Sindicato está com greve anunciada para a próxima segunda-feira (15), dia em que o governo do Paraná determinou a retomada das aulas presenciais na rede estadual de ensino. Conforme o atual decreto estadual, os colégios particulares foram liberados a voltar desde ontem (10).

De acordo com os sindicalistas, professores e funcionários do setor da Educação apontam que o momento crítico da pandemia no estado não condiz com o retorno presencial às escolas.

“Está muito claro que neste momento não há segurança para as comunidades escolares. Se o governador não recuar, teremos a Greve pela Vida. Estamos juntos com muitos prefeitos que têm esse mesmo entendimento de que é impossível voltar às aulas presenciais nesse momento”, afirma o presidente do sindicato Hermes Silva Leão..

Conforme o boletim da covid-19 desta quinta-feira (11), o Paraná acumula 740.955 casos e 13.053 mortes em decorrência da doença. Neste momento, 95% das UTIs estão ocupadas.

Além disso, a APP-Sindicato ainda acompanha a morte de alguns professores da rede pública do Paraná. Hoje, a professora Silvana Aparecida Santana, de 49 anos, perdeu a vida em Foz do Iguaçu. Ela estava internada no  Hospital Costa Cavalcanti e atuava em uma escola municipal na região oeste do estado.

De acordo com o Sinprefi (Sindicato dos Professores e Profissionais da Educação da Rede Pública Municipal de Foz do Iguaçu), Silvana participou da semana das atividades presenciais de preparação de aulas e reuniões pedagógicas promovidas no início de fevereiro. Depois disso, ela foi diagnosticada com covid.

Na semana passada também faleceu a professora de educação infantil Maria Aparecida das Graças Mega, aos 52 anos. Ela atuava no Centro de Distribuição da Prefeitura, pelo Departamento de Logística da Secretaria Municipal de Educação, e ficou 20 dias internada no Hospital da Cruz Vermelha, mas não resistiu à doença.

CIENTISTA AFIRMA QUE NÃO É HORA DE VOLTAR ÀS ATIVIDADES PRESENCIAIS

Lucas Ferrante, pesquisador do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) foi contatado pela APP-Sindicato para tratar da volta às aulas presenciais. Segundo o cientista, o retorno das atividades presenciais nas escolas não deve acontecer quando o local está com transmissão comunitária do vírus.

“Isso pode colocar em cheque estratégias globais de controle da pandemia”, afirmou.

Ferrante foi um dos pesquisadores do grupo de estudo que prevê aumento de mortes diárias em Curitiba. Segundo a projeção, o fim de março pode ter de 80 a 90 mortes por dia na capital paranaense. A equipe que desenvolveu o modelo é a mesma que previu o colapso do sistema de Saúde de Manaus.

De acordo com os cientistas,são necessários pelo menos 21 dias com restrição de circulação de pessoas superior a 90% para que as previsões não se confirmem.

Apesar disso, a prefeitura de Curitiba desqualificou o projeto e rebateu que o modelo aponta uma progressão geométrica, o que não corresponde com a realidade atual.

Segundo a APP-Sindicato, um novo estudo com o cenário de todo o Paraná foi encomendado aos pesquisadores do Inpa e deve ser divulgado em duas semanas.

GREVE DO SINDICATO CONTRA AS AULAS NÃO REFLETE A MAIORIA DA CLASSE, DIZ SECRETARIA 

A SEED (Secretaria de Estado da Educação e do Esporte) afirma que respeita a posição da APP-Sindicato, mas que a posição não condiz com a maioria dos profissionais da Educação.

A pasta do governo do Paraná ressaltou que todos os funcionários passaram por treinamentos direcionados sobre os protocolos de segurança e do modelo híbrido, que garante o escalonamento dos alunos para que as escolas não recebem todos os alunos ao mesmo tempo. Além disso, os pais e os próprios estudantes visitaram as aulas para que fossem conhecidos todos os procedimentos para evitar a proliferação da covid-19.

Confira a íntegra da nota enviada ao Paraná Portal:

A Secretaria de Estado da Educação e do Esporte (Seed-PR) respeita a posição dos sindicalistas, mas ressalta que ela não reflete o posicionamento da ampla maioria dos profissionais da Educação. Entre 18 e 26 de fevereiro, esses profissionais realizaram treinamentos direcionados aos protocolos de biossegurança e ao sistema híbrido de ensino nas mais de duas mil instituições de ensino da rede estadual. Nesse mesmo período, pais, responsáveis e estudantes foram orientados sobre a nova realidade dos colégios para o ano letivo de 2021, sendo recepcionados nas escolas e conhecendo os equipamentos e protocolos de segurança sanitária.
Seed-PR reforça o compromisso com a segurança e a saúde de toda a comunidade escolar, lembra que o ambiente escolar é controlado e atua em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde seguindo todos os protocolos e recomendações sanitárias.
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