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CCBB Rio de Janeiro recebe a exposição 'Cícero Dias - Um percurso poético'.Depois de passar por Brasília e São Pa..

Ruy Barrozo - 02 de agosto de 2017, 02:25

CCBB Rio de Janeiro recebe a exposição 'Cícero Dias - Um percurso poético'.

Depois de passar por Brasília e São Paulo, mostra apresenta no Rio cinco novas obras, entre elas a tela 'Eu vi o mundo... ele começava no Recife', aclamada como a obra-prima da trajetória do artista.

A abertura para o público será nesta quarta-feira e a exposição poderá ser visitada até 25 de setembro.

“O que vivia dentro de mim era o sonho. Contradições

que a natureza criava: o invisível e o visível... Vivia de costas

para o realismo. Ao encontro da poesia”

Cícero Dias.

Em 1938, o pintor pernambucano Cícero Dias/1907-2003 foi chamado de “um selvagem esplendidamente civilizado” pelo crítico de arte francês André Salmon.

A definição descreve perfeitamente sua trajetória nas artes, agora retratada na exposição Cícero Dias - Um percurso poético, que chega ao Centro Cultural Banco do Brasil CCBB Rio de Janeiro nesta quarta-feira, depois de ser visitada por mais de 100 mil pessoas em Brasília e São Paulo, permanecendo aberta até 25 de setembro.

A mostra tem a curadoria de Denise Mattar, curadoria honorária de Sylvia Dias, filha do artista, e produção da Companhia das Licenças em parceria com a Base7 Projetos Culturais.

‘Cícero Dias - um percurso poético’ é o destaque nacional do CCBB Rio neste semestre.

Na edição carioca a exposição foi acrescida de cinco obras: a emblemática tela de 12 metros, ‘Eu vi o mundo... ele começava no Recife’, que causou comoção no Salão Revolucionário de 1931; o painel ‘Visão carioca’, com 8 metros de comprimento, criado para o BANERJ, em 1965, e que hoje integra o acervo do Museu do Ingá, em Niterói, e ainda ‘Rua São Clemente’, 1928; ‘Elan’, 1958; e ‘O Grande Dia’, 1948.

“Na sua longa e prolífica carreira, Cícero Dias manteve, como poucos, a fidelidade a si próprio. Sempre foi inteiramente livre, ousando fazer o que lhe dava vontade, sem medo das críticas”, afirma a curadora Denise Mattar.

A mostra apresenta ao público um conjunto de 129 obras de um dos mais importantes artistas brasileiros do século XX, que completaria 110 anos em 2017, contextualizando sua história e evidenciando sua relação com poetas e intelectuais brasileiros e sua participação no circuito europeu de arte.

Além das obras, a exposição apresenta cartas, textos e fotos de Manuel Bandeira, Gilberto Freyre, Murilo Mendes, José Lins do Rego, Mário Pedrosa, Pierre Restany, Paul Éluard, Roland Penrose, Pablo Picasso, Alexander Calder, entre outros.

“Eu vi o mundo... e ele começava no Recife” /1,94 m x 11,80 m foi apresentado pela primeira vez no chamado Salão Revolucionário da Escola Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro, no qual pela primeira vez foram apresentados os artistas modernistas.

O trabalho é o ponto alto do ciclo de memórias e sonhos iniciado pelo artista em 1928.

Com cerca de 15 metros de comprimento e realizado sobre papel kraft, ele se destacava entre as obras do Salão: O épico painel é profuso, confuso e dramático, mesclando memórias do engenho, do carnaval de Olinda, e do Rio de Janeiro, imagens de cordel, lembranças românticas e devaneios eróticos, tudo simultâneo e onírico, real e irreal”, diz a curadora.

A obra causou furor no Salão e teve uma parte cortada não se sabe por quem. Os próprios modernistas ficaram constrangidos com a sexualidade explícita da obra, e o episódio muito contribuiu para a demissão de Lúcio Costa.

A obra pertence hoje a um colecionador particular do Rio de Janeiro.

"A exposição é uma celebração da obra deste importante artista pernambucano e é a primeira grande retrospectiva de Cícero Dias no Brasil. No CCBB, nos preocupamos em oferecer uma programação diversificada, entre mostras internacionais, de artistas clássicos ou contemporâneos, esta é uma das oportunidades que temos de valorizar a arte produzida por um artista nacional, para que seja cada vez mais conhecido pelos brasileiros e pelo mundo", diz Fabio Cunha, gerente geral do CCBB Rio de Janeiro. 

A mostra

A exposição traça um panorama da produção do artista, e é apresentada em três grandes núcleos que delineiam seu percurso poético.

São eles: Brasil, Europa e Uma vida em Paris - cada um deles, por sua vez, dividido em novos segmentos, cuja leitura não é estanque, mas entrecruzada e simultânea.ruy.barrozo