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Dinheiro não é o principal na vida do ser humano - * Clemente Ivo Juliatto.É preciso reconhecer que muitos males ..

Ruy Barrozo - 22 de agosto de 2017, 11:35

Dinheiro não é o principal na vida do ser humano - * Clemente Ivo Juliatto.

É preciso reconhecer que muitos males que hoje presenciamos no mundo procedem do sistema econômico que comanda a sociedade. O dinheiro, centro de quase tudo, é bom servidor, mas péssimo patrão.

De bom servo para as necessidades humanas, tornou-se péssimo patrão, ao transformar-se no comandante supremo da vida e do mundo.

Muitos até imaginam que ele resolva tudo.

Aí começam os desvios aos quais a gente precisa ficar atenta.

Está muito claro que nem tudo neste mundo pode ser reduzido à riqueza material.

Honestidade, bondade, amor, justiça, ajuda mútua e outros preciosos valores não estão nem um pouco relacionados com o dinheiro.

Aliás, nada do que é de Deus pode ser obtido com dinheiro. Pessoas de bom senso percebem os riscos que corre o mundo atual, com a presença de avassaladora oferta de consumismo e desordenada busca de prazeres superficiais.

A lógica do dinheiro como valor supremo é a responsável por tantos mercadores da morte (a expressão é de Sua Santidade o Papa Francisco) que operam na sociedade.

É evidente que enriquecer não é mal, tampouco pecado.

Quando fruto do trabalho honesto, o dinheiro serve para uma porção de bons propósitos.

Condenáveis são a ganância e o abuso, e não o uso apropriado. Pensando bem, sabemos que a vida do ser humano não consiste e não depende da quantidade de bens acumulados, mas principalmente do bom uso dos seus dias.

Percebemos que viemos nus a este mundo e do mesmo modo partiremos daqui.

É certo que não levaremos nada conosco.

O escritor português José Saramago (1922-2010), Prêmio Nobel de Literatura de 1998, observou que a humanidade, capaz de enviar instrumentos a um planeta para estudar a composição das suas rochas, assiste indiferente à morte de milhões de pessoas pela fome.

Observou também que se chega mais facilmente a Marte do que ao nosso semelhante.

O Papa Francisco também fala contra esse sistema opressivo, dizendo que as pessoas e a natureza não devem servir ao Deus do dinheiro e que precisamos dizer não a uma economia de exclusão e desigualdade na qual o dinheiro domina, em vez de servir.

Nada do que é de Deus pode ser obtido com dinheiro, já tinha constatado Tertuliano, escritor do século II de nossa era.

Gandhi (1869-1948), Confúcio (551-479 A.C.), Einstein (1879-1955) e Jesus (1-33, datas aproximadas), e tantos outros, se insurgiram contra os efeitos danosos da riqueza, quando elevada à máxima categoria.

Na Bíblia, está claramente expresso não ser possível servir a Deus e ao dinheiro (Mt 6,24).

Por razões óbvias, devemos preferir servir ao Criador de tudo e de todos, pois Deus vale infinitamente mais do que o dinheiro.

** Irmão Clemente Ivo Juliatto é ex-Reitor da PUCPR e professor. Atua na Editora FTD Educação, do Grupo Marista.ruy.barrozo