Coluna Social
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RB| COVID-19 / São Paulo

Diante dos últimos acontecimentos o Ação Covid-19 - www.acaocovid19.org e o grupo da medicina Ribeirão Preto/SP produzir..

Ruy Barrozo - 01 de junho de 2020, 21:07

Diante dos últimos acontecimentos o Ação Covid-19 - www.acaocovid19.org e o grupo da medicina Ribeirão Preto/SP produziram uma nota técnica contra a flexibilização do isolamento social promulgada pelo governador João Dória semana passada.

Dados do estado de São Paulo contradizem plano de reabertura.

Com UTIs cheias e interiorização das infecções, relaxar isolamento leva ao colapso, dizem pesquisadores.

O plano apresentado pelo governador de São Paulo, João Dória Jr., para a abertura do Estado contradiz os dados do próprio governo estadual.

É o que aponta a nota técnica Sobre o Relaxamento do Isolamento social no Estado de São Paulo, assinada pelos grupos de pesquisa Portal Covid e Ação Covid-19, reunindo professores da Universidade Federal do ABC - UFABC e de outras importantes instituições de ensino superior do país (link ao pé do texto).

Segundo os pesquisadores, ao contrário do que afirmou o governador na apresentação do plano, em 27/5, a curva de infecções não está sob controle em São Paulo.

O próprio Dória havia deixado isso claro na semana anterior, ao afirmar que havia risco de lockdown na cidade.

"Com o número de casos ainda em ascensão, sem uma clara política de testagem, com a expansão do contágio, das grandes metrópoles para o interior, e com um número ainda alarmante de ocupação de leitos, a redução prematura do isolamento social pode semear o caos no sistema de saúde", afirma o professor Domingos Alves, do Laboratório de Inteligência em Saúde da Faculdade de Medicina da Universidade em Ribeirão Preto e membro do grupo Covid-19 Brasil.

"O esforço de três meses de isolamento seria desperdiçado, levando a uma perda desnecessária de vidas."

Os pesquisadores analisaram a divisão das áreas do Estado de acordo com as fases de abertura em que podem estar.

As fases são representadas por cores: verde, azul, amarelo, laranja e vermelho, da maior abertura ao maior fechamento. Usando dados da Secretaria de Saúde do Estado e outros dados elaborados por dois coletivos de pesquisadores (Ação Covid-19 e Covid-19 Brasil), o estudo mostra que cidades como Botucatu e Araraquara têm uma curva de contágio pior do que a da capital, de modo que deveriam ter a cor laranja, em vez da vermelha.

A Baixada Santista, que tem taxa de ocupação de UTIs acima de 70%, também não poderia abrir o comércio, mas a pressão de lideranças políticas locais levou à elevação da área do vermelho para o laranja.

"A escolha preliminar dos municípios para se recomendar a abertura de comércio, incluindo a abertura de shopping centers, foi feita sem levar em consideração a emergência e a gravidade da epidemia nesses municípios", afirma José Paulo Guedes, pesquisador da UFABC e membro do grupo Ação Covid-19.

Os pesquisadores alertam que há um precedente perigoso de abertura precoce: em Blumenau-SC, após a abertura do comércio e dos shopping centers, a quantidade de novas infecções saiu de controle.

"O que a sociedade paulista precisa neste momento é trabalhar em conjunto para fazer com que a curva de transmissão seja drasticamente reduzida. Isso não será atingido abrindo o comércio das cidades", afirma a física Patrícia Magalhães, da Universidade de Bristol e membro do grupo Ação Covid-19.

"Ao contrário, é preciso intensificar o isolamento social. Para isso, é preciso dar condições para que a sociedade como um todo, considerando suas desigualdades sociais e outras especificidades, tenha condições de se manter isolada".

Link da nota técnica: https://acaocovid19.org/publications/note4