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Escrever rima com prazer! - ** Luiz R Wambier.Os peritos grafotécnicos são capazes de indicar prováveis autores d..

Ruy Barrozo - 17 de dezembro de 2018, 10:43

Escrever rima com prazer! - ** Luiz R Wambier.

Os peritos grafotécnicos são capazes de indicar prováveis autores de textos escritos à mão, tendo como ponto de partida a análise dos movimentos realizados pelo punho que tenha lançado a tinta sobre o papel.

Essa ciência é capaz de resultados verdadeiramente surpreendentes, como a identificação de escritas antigas, de autores que já não mais têm a mesma destreza.

Como dizem os cientistas dessa interessante área do conhecimento humano, ainda que tenha o autor da escrita perdido às mãos, é possível detectar o movimento de escrita pela condução da caneta segura de outras formas, como pela boca, por exemplo, porque, afinal, quem escreve não são as mãos, mas o cérebro.

O tema da escrita é um dos mais antigos e mais envolventes, justamente porque é extremamente abrangente.

Quando se fala da escrita, tanto podemos pensar nos autores de livros famosos quanto nos instrumentos através dos quais a escrita é lançada no papel.

Dentre estes instrumentos, atrevo-me a arriscar algumas linhas sobre a caneta de pena, que tanto prazer dá a seus apreciadores.

Os aficionados por canetas não são capazes de proezas como as dos peritos, mas basta dizer a um entendido nesse setor que marca e tipo de canetas são usados por esta ou aquela pessoa, para que desde logo tenhamos uma ficha de sua personalidade.

É assim mesmo!

O bom entendedor da arte de escrever (entendida como a arte de lançar tinta sobre o papel) conhece tendências pessoais, perfis psicológicos e, enfim, modo de ser, tendo como referencial apenas o tipo de caneta de que se sirva o pobre “analisado”.

Determinada caneta é própria daquele triste personagem que tanto nos atazana, conhecido pela alcunha de novo-rico.

Outra é compatível com escrevedores discretos e distintos.

Outra, ainda, é caneta de aventureiro.

Há, ainda, as canetas dos sovinas, dos “mãos-de-vaca”, e assim por diante.

E há, é claro, canetas apropriadas para aqueles que pouco se importam com requintes, bastando, para sua satisfação, que a caneta permita alcançar o verdadeiro fim, que é o de servir como meio para se escrever.

O instrumento, para estes últimos, pouca relevância tem, desde que chegue ao resultado desejado.

É para este tipo de escrevedor que sempre cai bem uma Bic, que desempenha suas tarefas com extrema eficiência, pouco custo e baixo risco.

É claro que não é para estes que estou escrevendo, neste momento.

Também não o faço para os “canetófilos”, porque com estes, na verdade, tenho muito o que aprender.

Endereço estas linhas para aqueles que têm algum conhecimento, muita curiosidade e interesse específico pelo tema, sem que sejam necessariamente experts na matéria.

Há uma infinidade de modelos no concorridíssimo mercado de canetas, disputado linha por linha por renomados fabricantes.

Aqui entre nós há marcas e modelos muito conhecidos, verdadeiros ícones da boa escrita.

A Parker 51 é um exemplo dessa história de sucesso.

Fabricada pela legendária fábrica fundada em 1880 por George Safford Parker, um modesto professor em Janesville, no Estado norte-americano de Winsconsin, essa caneta foi lançada em 1940, para comemorar os 51 anos de fundação da Cia. Parker e vendeu mais de 20 milhões de unidades.

Essa caneta fez história.

Foi com um exemplar desses, pertencente ao Gen. Eisenhower, que em 7 de maio de 1945 foi assinado o documento que oficialmente pôs fim à Segunda Guerra Mundial.

Era a caneta preferida de Getúlio Vargas e foi com uma dessas que o Presidente Fernando Henrique assinou o termo de posse de seu segundo mandato.

Outra marca capaz de causar delírios nos aficionados é a Montblanc.

Com aquela tradicional marca branca na ponta da tampa, representando a neve que sempre se vê na montanha que emprestou seu nome à marca, tem lançado sucessivos modelos que fazem a cabeça de qualquer apreciador de boas canetas.

Veja-se, por exemplo, os modelos Meisterstück, Classique e LeGrand.

E as séries especiais?

Há, nelas, canetas para diferentes gostos e bolsos: Czar Nicolai I, Ramsés II, esta com o apreciadíssimo acabamento em lápis lazuli e ouro.

Para quem, como eu, aprecia o lendário quarteto inglês, a série especial The Beatles é garantia de sucesso.

E por aí afora.

Uma das mais bonitas, ao menos para mim, é a JFK, mas há prefira exemplares das coleções dedicadas a grandes Writers, como a Leo Tolstoi.

Lembro-me de um professor de História do Brasil que usava e abusava de uma Scheaffer, outra marca igualmente tradicionalíssima.

Eu, ainda menino, impressionado com a beleza da caneta, relatava os acontecimentos que a envolviam em minha casa.

A discussão a respeito desse tema era frequente, porque lá em casa a preferência nítida, especialmente de meu pai, era pela Parker.

Dele herdei uma belíssima 51, que guardo com muito carinho e uso com muito cuidado.

De todo modo, trata-se de marca respeitadíssima.

Seus modelos Legacy Burgundy e Balance Crimson fazem sucesso em todo o mundo.

No Brasil também faz muito sucesso a marca Waterman, uma das mais antigas fábricas de canetas de que se tem notícia.

A origem histórica dessa marca é interessantíssima.

Segundo se diz, Lewis Edson Waterman, nascido em New York, foi muito cedo morar no Estado de Illinois.

Lá trabalhou como carpinteiro, agente editorial, professor, taquígrafo e corretor de seguros.

O nascimento da marca Waterman de canetas teria ocorrido em razão de um infortúnio.

Em torno do ano de 1880, Lewis Waterman, então trabalhando como corretor de seguros, disputava ardorosamente um importante contrato.

Tendo vencido a “concorrência”, levou os formulários dos contratos para serem assinados.

Para tanto comprou uma caneta tinteiro porque, segundo pensava, isso seria mais apropriado do que aquele antigo conjunto tinteiro-pena.

Só que no exato momento em que o cliente lançaria sua assinatura no formulário à caneta miserável pifou, derramando toda a tinta sobre o formulário.

É claro que com o vexame Waterman ficou sem o contrato, pois enquanto foi buscar nova cópia e outra caneta em seu escritório, um concorrente se adiantou e fechou o contrato que teria sido de Waterman.

Em razão disso, Lewis Waterman teria decidido criar e produzir uma caneta que fosse confiável.

Com a morte de Waterman a fábrica ficou sob os cuidados de um sobrinho.

Em 1926, todavia, Jules Fagard, que representava a marca na França, criou sua própria fábrica, passando a produzir canetas com a mesma marca.

Só recentissimamente é que essa questão das duas marcas idênticas se pacificou.

Há muitíssimos modelos, como os da série Edson, surgida em 1992.

Mas há ainda outras marcas importantes.

A italiana Montegrappa, a Omas, a Lamy, a Faber-Castell, que faz canetas deliciosas de se usar, a Pelikan, esta última com suas penas impressionantemente perfeitas, para falar de algumas entre nós muito conhecidas e admiradas.

Há também uma marca pouco conhecida no Brasil, mas que produz canetas ótimas: a Delta.

Dentre seus modelos merecem destaque a 365 Pearl White e a Israel 50th Anniversary.

Há, enfim, uma infinidade de marcas e de modelos, disputando “punho a punho” com os laptops e outras maquininhas a primazia da escolha do bom escrevedor.

Para quem gosta de escrever à mão, com caneta de tinta, vão aí algumas dicas de um curioso pelo tema e, acima de tudo, de um usuário “convicto” dessas maravilhosas invenções do gênio humano.

Boa escrita!

Sucesso!