Coluna Social
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Veruska, a dentista que jogou tudo para o alto e virou estilista de moda

Por Pedro Ribeiro Dos conselhos que recebemos, hoje, ao procurarmos ajuda médica ou psicológica, quando ques..

Caderno Gente - 23 de agosto de 2017, 13:24

Por Pedro Ribeiro

 

Dos conselhos que recebemos, hoje, ao procurarmos ajuda médica ou psicológica, quando questionamos sobre nossas dúvidas em relação ao cotidiano de nossas vidas, marcado pelas dificuldades do dia a dia, num mundo mutante, onde somos alimentados com bombardeios de notícias desanimadoras, apurando nossos passos e nos empurrando rumo à depressão, podemos afirmar que a maioria nos recomenda mudança de vida. Simples, não!

Acredito que todos nós gostaríamos de experimentar uma nova vida, como a recomendada, por exemplo, pelo escritor argentino Jorge Luis Borges em seu poema “Instantes”: “Se eu pudesse viver novamente minha vida, na próxima, trataria de cometer mais erros, não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais, seria mais tolo ainda do que tenho sido, na verdade, bem poucas coisas levaria a sério...”.

Do sonho à realidade, basta querer, tentar. Fiz esta introdução para justificar uma entrevista que foge às minhas ações diárias como jornalista que escreve sobre política, economia e crises. Não é um texto factual, mas me fez rever conceitos sobre vontade, desejo, busca de objetivos, de atravessar campo minado, caminhos espinhosos, fronteiras armadas e principalmente sobre coragem. O amigo jornalista Leonardo Bessa me fez este desafio, o de entrevistar um personagem diferente e diferenciado.

Portanto, esta, como disse, não é uma reportagem sobre a Operação Lava Jato, mas fala dela, não é sobre política, mas entramos no assunto ou sobre a atual situação sócio e econômica do Brasil, mas tem pitadas. Trata-se do levantamento de um breve perfil de uma cidadã que, aos 35 anos de idade, bem-sucedida na vida, larga a profissão de dentista com mestrado em estomalogia e radiologia para se dedicar à ajuda às pessoas, mas de um modo diferente: ter autoestima no vestir, no se alimentar, na busca de melhoria da saúde e condições de vida. Personal Style.

Veruska Sguissardi, nascida em Pato Branco e criada em Chopinzinho, poderíamos, a princípio, dizer que se trata de uma menina mimada, filha de pais ricos, donos do hospital da cidade, que desembarcou em Curitiba aos 17 anos de idade para estudar e dar continuidade ao DNA da medicina no sangue da família. Tem mais dois irmãos, um médico e outro dentista. O marido, Bruno, também é dentista. Não foi isto que percebi durante pouco mais de 70 minutos de conversa.

Observei, sim, uma mulher que, embora se pareça com uma sociality, quando deixa à mostra longos brincos que descem até o pescoço e anéis brilhantes usados por protagonistas de novelas globais. Mas, por trás deste estilo moderno e de bom gosto em se vestir, está a sua nova profissão: ensinar as pessoas a se vestir, a ficarem mais bonita e a custos baixíssimos, ou seja, você diz quanto quer gastar e é com esse dinheiro que ela inicia seu trabalho que pode partir de uma loja de rua, na XV de Novembro, em um shopping ou lojas de departamentos.

Veruska não é daquelas, vamos dizer, “afetadas”, que vai respondendo às perguntas antes mesmo do entrevistador terminar sua frase, para tentar dar a impressão que sabe tudo. Ela é minuciosa nas respostas e simples nas palavras, mas não deixa nenhum assunto sem respostas. É cuidadosa, porque sabe que, a comunicação tanto pode levar ao céu como ao inferno em poucas palavras. Ela usa e abusa das redes sociais na divulgação do seu novo mundo.

Não entendo de moda, mas sei o que é bonito e feio. Perguntei se um cidadão, como eu, poderia ser seu cliente e dar um jeito no traje, já que abandonei o terno e a gravata que usei por muitos anos? A resposta foi curta e grossa: com certeza. Não levei este assunto adiante e preferi dar continuidade à minha entrevista sobre o que ela faz com as pessoas, narcisistas ou não, para ajudar na autoestima.

A estilista observa que para tudo tem uma saída. A começar por ela mesma, que jogou tudo para o alto e mudou de vida. Perguntei se isso não provocou rachaduras nas pilastres da fortaleza da família de médicos e ela me disse que não. “Protelei um tempo para falar com meu pai, quando tive, coragem, fiquei surpresa quando ele me disse que eu estava no caminho certo, já que era isto ou que eu realmente queria”.

Era mesmo isso que você queria, quem sabe, sonho de infância? “Toda garota sonha com um futuro legal. Eu queria seria professora, por achar a profissão legal, queria ser cabeleireira, por achar legal e costureira. Hoje, consigo reunir praticamente a três profissões em uma só”. Também perguntei se não era perigoso, por exemplo, dar opiniões e conselhos sobre psicologia, já que ela também trabalha esta parte das pessoas. Como resposta disse: “eu trabalho em equipe, com profissionais de várias especialidades. Quando o assunto requer trabalho de psicóloga, eu tenho parceria, como médico, dentista e outros”.

“Meu foco de trabalho é no ser humano e tenho o prazer em ajudar. Não ganho dinheiro com isto, mas me sinto feliz em poder ouvir, das pessoas, que eu fui parte importante em sua mudança de vida. Isto me conforta”, pontua Veruska ao afirmar que seu trabalho não requer posses financeiras e que todo mundo pode ter acesso. “Vou à casa da cliente, vasculho seu closet ou armário e encontro uma solução que agrade. Vamos às compras, com R$ 1 mil ou R$ 100 e encontraremos a solução. Tudo depende de quanto pode ou quer gastar”.

O trabalho da estilista não tem faixa etária e seu público é diversificado. Pergunto se o brasileiro cuida da saúde e da aparência, responde que, em geral, todos cuidam, mas poucos pensam o futuro, ou seja, como vão encarar a velhice. Quem é o mais vaidoso. O homem ou a mulher? Os dois, responde, acrescentando que o homem está cada vez mais investindo na aparência, principalmente o americano, o brasileiro e o italiano. Veruska tem cursos na França e em outros países europeus, além do Brasil, e pode responder com propriedade.

Segundo ela, o brasileiro tem investido muito em roupas e sapatos. Ele quer estar de bem com a vida. É vaidoso. “E eu estou aqui para partilhar dessa vaidade”. Como já disse, a personagem que entrevistei não é vaidosa, embora pareça, não é dondoca, embora pareça e tem um espírito voltado à ajuda das pessoas.

Do pouco tempo em que conversamos posso sustentar que, neste novo trabalho, ela tem um pouco de assistente social, principalmente quando procura ajudar pessoas em processo depressivo que precisam de autoestima e não tem dinheiro. “Eu não ganho dinheiro com este meu novo trabalho”, diz, sorrindo, a pequena e grande Veruska. Ela abriu o Mar Vermelho para ver o que havia do outro lado e parece que encontrou o que queria: porto seguro, paz e realização profissional.

Uma prosa com Veruska

- Como você se preparou para a vida?

- Eu sempre estou me preparando para a vida, para enfrentar os obstáculos que estão à nossa frente no dia a dia.

- Quem cria, nasce todos os dias. Você acredita nisso?

- Sim. Eu investi na minha formação de dentista e agora na de estilista. Estou diariamente criando para resgatar uma realização de bem-estar.

-Você tem medo de alguma coisa?

- Não, nunca tive medo. Sempre enfrentei tudo com os pés no chão. E continuo enfrentando

- Você é ansiosa?

- Não

- É hiperativa?

- Sim. Não sou acomodada

- Sonho de criança?

- Queria ser professora, cabeleireira e costureira

- Lê livros?

- Poucos, porém, específicos sobre minha área de atuação. O último que li foi biografia do empresário Abilio Diniz.

- Descreva Curitiba?

- Gosto de minha cidade, porém, acho uma caixinha de surpresa. Falta solidariedade entre as pessoas que aqui vivem.

- Como você avalia a crise econômica vivida pelo Brasil?

- Acho que é administrável, pois o Brasil é grande e tem pessoas capacitadas para resolver o problema.

- E a crise política?

- Precisamos de pessoas mais capacitadas e envolvidas com a causa brasileira no Congresso Nacional

- Você foi às ruas, protestar?

- Sim, contra Lula

- Qual seu conselho hoje aos nossos parlamentares no Congresso Nacional?

- Que eles tenham mais responsabilidade e compromisso com a nação e seu povo

- Qual é sua atividade no dia a dia fora o trabalho?

- Pratico muito esporte, yoga, dança e trabalho muito nas redes sociais

- Qual sua alimentação?

- A base de frutas e meu prato preferido é uma boa sopa de legumes. Até uma canja. Eu cozinho e tenho dois cursos de chef.