Athletico e o planejamento rasgado com a troca de Carille por Felipão

Fábio Carille não é mais o técnico do Athletico. O clube mostra estar completamente perdido após a saída de Alberto Valentim.

Vinicius Cordeiro - 04 de maio de 2022, 16:56

(Geraldo Bubniak/AGB)
(Geraldo Bubniak/AGB)

Absurdo. Assim podemos descrever a demissão do técnico Fábio Carille nesta quarta-feira. Luiz Felipe Scolari, protagonista da seleção brasileira no penta e no 7 a 1, aceitou o convite e será o novo treinador rubro-negro. 

A goleada vergonhosa por 5 a 0 sofrida para o The Strongest, pela quarta rodada da Libertadores, deixou o Athletico na lanterna do Grupo B da Libertadores. A derrota para o Strongest ficou marcada não somente pela facilidade dos bolivianos na bola aérea, mas também pelo fraco desempenho físico do Athletico. O time esteve entregue e sem demonstração de força. 

No entanto, a situação ruim na tabela do torneio continental seria facilmente revertida. Basta a equipe vencer os duelos contra Libertad e Caracas (o melhor e pior rival da chave, respectivamente) dentro da Arena da Baixada.

Não seria nenhuma missão impossível para Carille. Vitorioso no Corinthians, ele buscava um trabalho para tirar o rótulo de retranqueiro. Tinha toda a possibilidade por ter o melhor elenco da história do Athletico nas mãos.

Os jogadores não são da primeira prateleira do futebol brasileiro, mas são várias opções para cada posição (exceto na lateral-direita). Poderia montar um coletivo forte, capaz de bater com qualquer adversário (como foi nos últimos anos). 

Qualquer comandante precisa de tempo e treinos. Despedido com sete jogos em 21 dias, Fábio Carille não teve nenhum. Qualquer postura de indignação do técnico é válida após o desrespeito do Athletico. 

PLANEJAMENTO É RASGADO NO ATHLETICO

O contexto do Athletico é tumultuado internamente. No dia 24 de janeiro, o presidente Mario Celso Petraglia participou de uma entrevista coletiva para apresentar Alexandre Mattos, atual CEO de negócios, Carlinhos Neves, famoso preparador físico, e o ex-goleiro Fernando Yamada, que seria o gestor das categorias de base. Era uma reformulação no departamento de futebol para chegar ao topo da América e do mundo. 

Em menos de quatro meses, quase tudo se foi. Apenas Mattos sobreviveu no Furacão. Além dos já citados, Ricardo Gomes e Paulo Autuori saíram ainda no início.

Ou seja, tudo planejado no fim da última temporada e no início deste ano foi jogado fora.

A mudança de técnicos - demissão de Alberto Valentim, acerto com Fábio Carille e agora a demissão - também mostram que o Athletico quer o título do Mundial de Clubes, mas não sabe qual estilo de jogo pretende ter dentro das quatro linhas. É como qualquer pessoa ir na feira e não saber se comprará banana ou melancia.

Sem planejamento, o sucesso fica mais distante. Mas, no Brasil, alguns times se sagram campeões com o acaso, depois da mudança de técnico e uma união do elenco. É essa a esperança do torcedor, que vê com péssimos olhos a chegada de Felipão.