Athletico passa praticamente ileso pela contratação de Marcinho

Vinicius Cordeiro

Apesar da contestação de torcedores, o Athletico é muito bem blindado e não se move por protestos.

A contratação do lateral-direito Marcinho por parte do Athletico causa profundas reflexões. A primeira é por ter sido divulgada dois dias depois do aniversário de 97 anos do clube, no qual a instituição não quis comemorar diante da tragédia sanitária que o país vive.

O jogador de 24 anos foi denunciado por homicídio culposo (quando não há intenção de matar) após ter atropelado um casal no Rio de Janeiro. Deixou o local sem prestar socorro, o que pode aumentar a pena prevista entre dois e quatro anos.

A defesa do atleta afirmou que ele estava sóbrio, dirigindo dentro da velocidade permitida e que foi surpreendido ao ver pessoas entrando em sua frente. A perícia, no entanto, apontou que o veículo estava entre 86 km/h e 110 km/h em uma via com limite máximo de 70km/h. Além disso, o inquérito informa que Marcinho havia bebido cinco chopes antes dos acontecimentos. Maria Cristina José Soares e Alexandre Silva de Lima perderam a vida.

Marcinho não renovou contrato com o Botafogo e poderia acertar com qual clube quisesse. Ele é um homem livre, sem qualquer condenação. Pelo princípio da inocência (todos são até que se prove ao contrário), ele tem todo o direto de trabalhar.

O que causa espanto é o lado do clube. Ok que o Athletico é conhecido por fazer apostas. Foi assim na recuperação de Walter, que passou quase dois anos suspenso por doping e hoje está no Vitória.

A questão é que o clube é muito bem blindado. Houve manifestações da torcida contra a contratação de Marcinho, mas nada que abale as decisões internas.

O caso não é como foi o episódio de Robinho no Santos, que teve o contrato anulado por conta das condenações de estupro na Itália. Também nada a ver com o desacerto de Thiago Neves no Atlético-MG, que provocava a torcida alvinegra quando foi vitorioso no Cruzeiro.

Peixe e Galo sofreram muito mais pressões – internas e patrocínios. Isso não acontece no Furacão. Se fosse outra equipe, a contratação de Marcinho certamente seria revista.

Para completar, alguns jornalistas/influenciadores nem deram bola para o extracampo. Limitaram-se a compartilhar análises esportivas do atleta, como se uma denúncia por homicídio culposo não fosse nada demais. É lastimável ver que ainda temos gente que reforça a ideia de que “no futebol vale tudo”.

A acusação contra Marcinho é algo muito grave. Fico imaginando se, por acaso, a contratação existiria se as vítimas do acidente fossem próximas ao presidente Mario Celso Petraglia.

Dentro de campo, o Athletico optou em apostar na recuperação de um jogador que teve lampejos até o fim de 2019, mas que atuou quatro vezes no ano passado e ainda está machucado após uma lesão grave no joelho. O lateral se tornou alvo de críticas constantes por parte da torcida que está acostumada com times fracos, que viu o Botafogo ser rebaixado. No fim das contas, nem o custo-benefício esportivo vale a aposta.

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