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Desemprego cresce entre idosos, enquanto entre jovens se estabiliza.Análise está na Carta de Conjuntura do IPEA, ..

Ruy Barrozo - 26 de setembro de 2016, 02:09

Desemprego cresce entre idosos, enquanto entre jovens se estabiliza.

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Análise está na Carta de Conjuntura do IPEA, que apresenta ainda os rendimentos por setor, por tipo de ocupação e por estado, além da taxa de formalidade.

A análise desagregada do mercado de trabalho feita pelo Grupo de Conjuntura do IPEA, por meio de microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua - PNADC mostra uma radiografia inédita do desemprego no país.

O grupo de jovens entre 14 e 24 anos é o mais afetado entre os vários segmentos da população economicamente ativa, mas é no grupo de idosos (pessoas com mais de 59 anos) que se observa a maior taxa de variação.

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Na comparação do segundo trimestre deste ano com o quarto trimestre de 2014 (último período antes da piora no mercado de trabalho), o aumento do desemprego na faixa de idosos foi de 132%, enquanto entre os jovens a variação chega a 75%. Esta é uma das constatações da análise publicada na Carta de Conjuntura nº 32, divulgada hoje, pelo IPEA.

Quando se analisa o que ocorreu em 2016, a taxa de variação do desemprego também foi maior para as pessoas com mais de 59 anos: alta de 44% na comparação entre o primeiro e o segundo trimestres deste ano. A taxa de desemprego desse grupo passou de 3,29% no primeiro trimestre para 4,75% no segundo trimestre.

O trabalho publicado pelo IPEA traz uma análise desagregada do mercado de trabalho, com base em microdados da PNADC e dados detalhados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados - CAGED​.

Entre abril e junho de 2016, foram encerradas mais de 226 mil vagas formais, além de outras 94 mil no mês de julho. Segundo o coordenador da publicação, o técnico de Planejamento e Pesquisa do IPEA José Ronaldo Souza Jr, “na comparação com o trimestre anterior, o rendimento real médio não apresentou um desempenho tão ruim quanto à ocupação, apresentando uma queda de 1,5%”.

A redução nos salários reais foi pior em setores que exigem menor qualificação, sendo a queda dos rendimentos mais forte entre os que recebem menos que o salário mínimo - cerca de 9% nos últimos 12 meses. Apenas o trabalhador que ganha exatamente o salário mínimo não apresentou perda real de rendimento.

A queda generalizada nos rendimentos, somada à queda na ocupação, fizeram com que no trimestre entre maio e julho de 2016, a massa salarial se situasse em 175 bilhões de reais (em R$ de junho de 2016), mesmo patamar que se encontrava há três anos.

A deterioração do emprego já está bastante generalizada pelo país.

Em apenas oito estados a taxa de desemprego encontra-se ainda abaixo dos 10%: em três estados do Sul, além de Rondônia, Roraima, Piauí, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.

As maiores taxas de desemprego foram observadas no Amapá e na Bahia, seguidos de Pernambuco e Alagoas.

Entre as ocupações que não observaram diminuição da renda no último ano estão os militares, profissionais das ciências e engenharias, ciências sociais e culturais, profissionais da engenharia de nível médio e profissionais de saúde de nível médio.

As maiores quedas no rendimento médio foram observadas entre os professores do ensino superior, profissionais em operações financeiras e administrativas, trabalhadores qualificados, operários e artesãos da construção e diretores e gerentes.

Entre as ocupações que exigem ensino superior, os maiores rendimentos estão entre os médicos, enquanto os menores estão entre os professores do ensino médio e fundamental.

Segundo a Carta de Conjuntura do IPEA, devido ao cenário macroeconômico atual, é provável que se observe a manutenção da queda do nível de ocupação, causada principalmente pelo menor número de admissões, e estas ainda não apresentaram sinais de recuperação.

Se isso resultará em aceleração da taxa de desemprego, dependerá muito do comportamento da População Economicamente Ativa - PEA.ruy.barrozo