Coritiba é o time da Série A que menos chuta na direção do gol; Jorginho precisa mudar

Vinicius Cordeiro

coritiba jorginho

O Coritiba precisa acertar a mira. O time arrematou 16 vezes nos últimos dois jogos, mas apenas quatro na direção do gol rival. A média é de um chute no alvo a cada 45 minutos. Considerando que o time balançou as redes nas duas partidas, o problema não é eficiência.

Se ampliarmos a média para os últimos quatro jogos (Grêmio, São Paulo, Fluminense e Vasco), são sete finalizações no alvo. A média, nesse caso, é de um arremate certo a cada 51 minutos. O cálculo, feito a partir dos dados do Sofascore, ilustra bem o momento da equipe comandada por Jorginho.

O Coxa é a equipe com menor número de finalizações certas no Brasileirão 2020 e é o terceiro que menos chuta. Goiás e Vasco arremataram menos até agora, mas já balançaram as redes 17 vezes. Já o Alviverde marcou apenas 10 gols (pior ataque da Série A). As estatísticas são do GE.

Contra o São Paulo, o time praticamente abdicou de atacar depois de abrir o placar (em cobrança de falta) e foi pressionado até sofrer o empate. O Coxa terminou com 25% da posse de bola e chutou uma vez ao gol são-paulino (o gol!) além de outros dois chutes sem direção.

Contra o Grêmio, foram três chutes a gol (13 no total) e 51% da posse de bola. Tudo isso, no entanto, depois de estar perdendo por 2 a 0. Nos 14 primeiros minutos, quando os gaúchos abrirem a bola ficou 70% do tempo com os comandados de Renato Gaúcho.

SARRAFIORE NO BANCO? 

Para fugir do rebaixamento, é óbvio que o Coritiba precisa de gols. Jorginho deve criar repertório e escalar jogadores com mais força no ataque. O time inicial deve ter maior ímpeto ofensivo e, é claro, maior consistência defensiva. Não se pode atacar, ou propor o jogo, de “peito aberto”, como o próprio treinador diz.

A montagem do elenco foi errada, mas Sarrafiore não foi trazido do Internacional para esquentar o banco de reservas. Neílton, recuperado de lesão, tem ganhado mais minutos. Giovanni Augusto, excelente meia, entrou bem contra o Grêmio. São três jogadores que o Coxa precisa que estejam em campo. Sem eles, dificilmente Ricardo Oliveira terá boas oportunidades. Robson precisa de companhia.

Matheus Bueno e Galdezani também não são jogadores que podem ser descartados como foram nas últimas rodadas.

O Coxa encara agora o Fortaleza, que bateu o Atlético-MG. O Leão não tem um elenco tão qualificado, mas é muito bem organizado. Jogo duro no Couto Pereira, que está marcado para às 19h do próximo sábado (10).

DEFESA TAMBÉM PRECISA DE CORREÇÕES E GUILHERME BIRO PRECISA DE APOIO

Na sua apresentação, Jorginho disse que queria um time equilibrado e rechaçou o rótulo de retranqueiro. O que vimos nos últimos jogos é a falta de consistência ofensiva e também erros na defesa.

O primeiro gol do Grêmio, por exemplo, chama muita atenção pela liberdade ao adversário. A pressão não surte efeito, mesmo o meio campo formatado com Matheus Sales, Hugo Moura e Ramon Martínez. Robinho tem campo aberto no passe para Diogo Barbosa, que cruzou para Luiz Fernando marcar. O time gaúcho ainda contou com duas inversões de lado na origem da jogada.

Vale destacar que são sete jogadores gremistas contra oito coxa-brancas. A superioridade, porém, não dá vantagem alguma ao Coritiba: Hugo Moura não tem quem marcar e Guilherme Biro, meia-atacante, tenta acompanhar Matheus Henrique.

Biro, por sinal, foi uma vítima do treinador. Mesmo com a desvantagem, o jogador de 20 anos seguiu à risca o que combinou com Jorginho antes da partida. Atuou como lateral para que William Matheus tivesse maior liberdade no ataque. Não deu certo e o jovem foi às lágrimas ao ser substituído por Giovanni Augusto com 20 minutos de jogo.

Jorginho poderia ter passado sem essa. Queimou o jogador e irritou mais a torcida com o episódio. Dentro do clube, é preciso que isso seja discutido. O Coritiba já não tem fama de tratar bem jovens atletas e o que foi feito não pode se repetir. Que Biro tenha novas chances e possa demonstrar seu futebol na função que joga.

Linha defensiva fica no mano a mano, Biro tenta ajudar e Robinho tem campo livre para achar o passe. (Reprodução)

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