A sapiência do pescador

João Marcos

Na década de 1970, conheci o José Pedro, pescador, nascido e criado em Armação do Itapocorói, linda praia do litoral norte de Santa Catarina. Vivera mais tempo embarcado, no mar, do que em terra firme.
Hoje aposentado, mora com a sua filha mais velha no Bairro da Barra, em Balneário Camboriú.
Pelas esquinas da vida, depois de tantas décadas, encontrei o Zé Pedro em um bar da Barra, onde parei para comprar água a fim de hidratar o calor escaldante.

Como pode depois de tanto tempo, 40 anos, nós dois nos lembrarmos das nossas fisionomias? Óbvio que com as marcas que o tempo deixou para registrar o tempo!
Quanta alegria! Nos abraçamos efusivamente, como se estivéssemos resgatando todo aquele tempo que ficara lá atrás!
Acabei sentando para conversar com o velho marujo. Uma conversa eclética e coloquial!
Entre muitos assuntos, o Zé Pedro, como muitos brasileiros, estava inconformado com os políticos do Patropi: _Hipócritas, miseráveis! – falou levantando o tom da voz – e nós, o povo? Será que eles nos enxergam só na época das eleições? Somos os mariscos, os mexilhões deles!

– Como assim? – perguntei.
– Sabe… Suas Excelências são iguais ao mar, onde passei quase a minha vida inteira. Comparo o Judiciário, o Legislativo e o Executivo com as ondas! A Constituição de 1988, pode ser comparada com as pedras… tão desiguais em seus formatos quanto a discrepância entre a teoria da Carta Magna e a realidade brasileira!

E finalizou:


– Na briga das ondas com as pedras, quem apanha são os mexilhões!!

Crônicas recomendadas: Hoje bem cedo ; Qual o nome?
Curta, compartilhe e siga-me no Facebook
Curta a página da editora Mérula

Post anteriorPróximo post
Comentários de Facebook