Amizade póstuma

João Marcos


Não seria homenagem póstuma? Seria! mas é amizade póstuma mesmo. Como assim? Esta história começou num domingo de outubro exatamente às 11 horas de uma manhã de garoa fina, intermitente, na “Maravilha do Atlântico Sul”, Balneário Camboriú. Eu olhava o relógio quando o celular tocou. Era o amigo Ubirajara Vieira, o Bira, amigo de longa data, “aço de boa têmpora”, ou “cesta de 3 pontos”, como queiram.

Ligara para convidar-me para um aperitivo na casa do Sergio Margarida, cartorário de Blumenau, à beira mar, na Av. Atlântica, que falecera havia um ano.
Eu esperava o Bira, meio aturdido, sem saber ou entender direito o convite para fazer aperitivo na casa do amigo falecido!
No trajeto o Bira me explicou o enigma que remexia meus neurônios. Uma história interessante e comovente por demais,  que merece ser contada e compartilhada!

Há um ano um câncer ceifara a vida do Sergio. Sabendo da gravidade da doença, ele reuniu seus vinte melhores amigos, deu um controle remoto do portão para cada um e combinou que a amizade iria se perpetuar na sua ausência. Como assim? Assim… disse que aos domingos de manhã, como habitualmente faziam, se reuniriam na sua casa para jogar tênis, tomar banho de piscina, conversar e logicamente aquele aperitivo com tira gosto que os vinte amigos se revezavam na culinária de largo espectro! Neste domingo o petisco principal era bolinho de bacalhau! Delicioso!

Da janela da casa defronte ao salão de festas, uma senhora acenava para as pessoas que chegavam. Era a dona  Íria, viúva  do Sérgio…
Fui recebido com muita cordialidade pelo grupo, que aproveito o momento para agradecer uma vez mais pela hospitalidade. Dali a pouco, chegou o Otávio, cartorário também e filho único do casal Sérgio e Íria. Volta e meia o nome do Sérgio era lembrado. Sua esposa na janela, por certo, relembrava do marido através dos seu amigos que continuaram a frequentar a sua casa.

A conversa era animada e os assuntos variados: novela, pescaria, política e futebol. Ah, lógico que as beldades da orla eram pauta nas conversas que se cruzavam. Não poderia ser diferente, a mulher é a luz divina que clareia a escuridão do mundo masculino…
Ao voltar para casa fiquei pensando em tudo que vi e refleti: como é interessante e até comovente, alguém que já partiu, consolidar uma amizade estando em outra dimensão e por aqui muitas amizades se evaporam mesmo de corpo presente!
Pensem nisto!

Crônicas recomendadas: Vereador Amadeu Mario Margraf ; Ele era assim…
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