Aquele Homem

João Marcos

Debaixo do guarda-sol, vi aquele homem que na beira do mar com as calças dobradas até os joelhos, incentivava a menina a entrar na água. Percebia-se que era a primeira vez do encontro dela com o mar. Estava deslumbrada! Mostrava medo também.
A passos curtos foram entrando, até a água alcançar as dobras da calça.
Era o limite. A garota, pegou em sua mão e foi adiante… A água já batia na cintura. De repente uma onda maior… Ele puxou a menina junto de si. Estavam molhados por inteiro.
Ao saírem da água, não me contive. Aproximei-me e fui cumprimentá-lo por tão nobre gesto!

– Parabéns pela sua atitude! Vi toda a cena! Pai tem que participar mesmo.
– Não sou o pai dela. Ele faleceu há alguns meses. Era meu primo. E com os olhos marejados completou:
– Ele prometeu à menina trazê-la aqui para conhecer o mar. Se aqui estivesse sei que entraria de roupa e tudo para alegrar a pequena. Estamos vestidos porque a ideia era simplesmente molharmos os pés. Mas a emoção invadiu a garota! Fui apenas seu porto seguro… Sou pastor. Viemos do interior em uma excursão.

E num gesto cristão, ainda com os olhos marejados me falou:

– Fico agradecido por ter vindo até nós. Que Deus o abençoe!


Com os olhos também marejados, simplesmente respondi:

– Amém!

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