As coisas mudaram…

João Marcos

Há alguns anos dizia-se que para se mudar um conceito ou um comportamento, levava uma geração. Este tempo era de 26 anos. Depois diminuiu para 12. Agora abreviou-se para 6.
A evolução atropelou o tempo e acelerou a vida… As coisas mudaram. Bastante!
Na minha infância, os mais velhos projetavam diagnósticos de que em breve o mundo não teria alimento para tanta boca. Erraram. A evolução derrubou este conceito.
O grande escritor Monteiro Lobato, estereotipou o homem do campo na figura do Jeca Tatú. Era um ser desnutrido, barbicha rala, barriga verminótica, chapéu de palhas furado, calça meia canela, botinas ou tamancos nos dias de chuva e sempre com uma enxada nas costas… Casa de chão batido, fogão de barro.

Assim era visto o homem do meio rural. Um caipira. Tinha até um apelido: jacú. Na verdade, sem escolaridade, falava errado e ler e escrever… nem pensar! Era um alienígena desligado do mundo, pois sem a luz elétrica, sem a televisão e sem escolaridade não via o mundo acontecer.
Mas as coisas mudaram…
Hoje a roça virou lavoura, o agricultor virou empresário rural, o peão virou gerente e até o porco virou suíno. Sinal dos tempos!
O setor primário da produção deu um salto gigantesco! A produtividade aumentou significativamente com a implantação de sementes melhoradoras, conservação e correção do solo, transgenia, plantio direto, maquinário de última geração, tecnificação e qualificação do agricultor e agricultura de precisão!

Na pecuária e na silvicultura, também! O prazo de engorda e o tempo de abate diminuíram grandemente e a produtividade de leite, carne e ovos aumentou substancialmente.
Há alguns anos não se ouvia falar da agricultura… lá de vez em quando, quando um fato relevante acontecia.
E hoje? Nos jornais de todo o mundo, quase sempre na primeira página, tem um fato ou notícia da agricultura. Muitos substituíram o cavalo pela moto e a carroça e a charrete pelas caminhonetes…
Programas de rádio, muitas revistas, televisão com canais exclusivos, feiras agropecuárias… Enfim, o campo imprimiu fortemente as músicas sertanejas, que em um passado recente era coisa brega escutar. Aliás, shows milionários acontecem quase todos os dias, promovendo os artistas de chapéus. Quase sempre em duplas. Recordes de bilheterias. O mercado fonográfico agradece.

Além das músicas, o campo ditou a moda automobilística também! As caminhonetes que antes eram transportes utilitários, ganharam status. Grande parte dos cidadãos da city ostentam pelas ruas e avenidas estas caminhonetes, como se fazendeiro fossem. Carros traçados que não saem do asfalto. Pode? Pode sim e são muitos!
Houve uma transferência de valores, o campo está em evidência e no lugar de destaque, onde sempre deveria estar.
A agropecuária, um dos poucos setores superavitários que há muitos anos vem equilibrando a balança comercial brasileira, vem segurando o superavit da balança comercial e sustentando a economia e a segurança alimentar.
Realmente, a evolução chegou ao campo!


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