Baiacu ou cascudo?

João Marcos

Sempre a mesma dúvida: ”É baiacu?”. “Não, não, é cascudo”. “Claro que não!”. “É baiacu mesmo!”.
Se disserem que é baiacu, ninguém compra. Por isso, já são vendidos prontos para o consumo. O formato anatômico do peixe sem a cabeça e sem a pele é idêntico. E as dúvidas seguem… Na realidade, é baiacu mesmo.
Quando pescado, vai inchando a barriga. Parece estourar. Verdade? Sim, sim… é uma defesa do peixe. Estufa para assustar seus predadores. Assim, parece ser maior. Mas… e daí?

O problema é que este peixe tem uma toxina mortal. Tem uma bolsa, tipo bexiga, e seu líquido realmente mata. Procura aí no Google. Vai ver!
Acontece que se esta “bexiga” for extirpada e seu líquido não derramar na carne, tudo bem, a carne pode ser consumida sem problema algum.
Em Guaratuba na Banca da Dora, no Mercado Municipal, é comercializado há muitos anos.
Meu primo Carlos Olímpio é um apreciador do pescado. E está aí. Forte e corado! Prova viva de que o peixe não mata.
Pedi ao primo que me trouxesse 1 kg do dito cujo. Convidei os vizinhos Wilson e Miriam para o aperitivo. Mas… quando souberam que o tira-gosto seria o baiacu, se recusaram a experimentar. Nem apareceram. “Vazaram”… como se diz.

A Sonia se manifestou, dizendo que não iria nem provar. Estava com o tablet na mão, horrorizada, consultando o Google.
Liguei para o Carlos vir aperitivar. O Emílio que estava com ele, veio junto. Eram a prova contundente de que o peixe é ótimo para o consumo. Sem saberem, estavam ali para tirar a prova.
Depois de algum tempo, assuntei:

– Sabe, vocês estão provando que o baiacu não mata!

Comentei todo o episódio e em seguida o Emílio contou:

– Um caiçara guaratubano havia viuvado três vezes. Todas suas esposas tinham morrido por causa do baiacu.
– Caraca! Verdade?
– Sim…sim, verdade!

Contou que as duas primeiras mulheres morreram por comerem o baiacu.

– E a outra?- perguntou o Carlos.
– Morrera com hematomas generalizados! Especialmente na cabeça!
– ”Crêndiospai”! Por quê?- perguntei.
– Porque não quis comer o baiacu.
– O marido dela, o caiçara, está preso até hoje.

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